Chefe da Casa Civil diz a ministro do Trabalho que "houve excesso" ontem. Retratação é aguardada pelo Planalto

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A presidenta Dilma Rousseff não gostou nem um pouco do tom ameaçador do ministro do Trabalho, Carlos Lupi, que ontem disse "duvidar" que ela o demitisse e que ele não sairá do cargo "nem na reforma ministerial", marcada para o início do ano, quando deverão deixar seus cargos todos os candidatos que estão no primeiro escalão do governo. Dilma incumbiu a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffman, de transmitir a sua insatisfação a ele. Gleisi disse a Lupi que "houve excesso" na fala dele no dia anterior e que "ele e todos os ministros deste governo sabem que quem nomeia e quem demite é a presidenta da República".

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Lupi havia dito também que só à força deixaria o ministério. " Não saio do cargo. Daqui ninguém me tira. Só se for abatido a bala . E tem que ser bala de grosso calibre porque eu sou pesado", disse.

"Clima de estresse"

O recado a Lupi foi dado pessoalmente por Gleisi, antes de ele participar com a ministra de uma reunião para discutir a instalação de ponto eletrônico na Esplanada. A reunião estava marcada para 11h30. A ministra Gleisi conversou com Lupi a portas fechadas, em seu gabinete, no quarto andar do Planalto, e avisou do descontentamento da presidente Dilma com o episódio. Gleisi ressalvou, no entanto, que acreditava que tudo foi feito, em meio a um "clima de estresse" por causa das denúncias que ele está sofrendo. Uma retração do ministro Lupi está sendo aguardada pelo Planalto, para que ele amenize e esclareça as declarações dada s ontem.

Uma retração do ministro Lupi está sendo aguardada pelo Planalto
Orlando Brito
Uma retração do ministro Lupi está sendo aguardada pelo Planalto

Dilma estava irritada desde ontem com as declarações. Mas limitou-se a reclamar para seus assessores diretos, já que o governo enfrenta uma importante votação no Congresso, considerada fundamental pela própria presidente, que é a aprovação da DRU, a Desvinculação de Receitas Orçamentárias da União. A DRU dá ao governo a liberdade para usar como quiser 20% das receitas da União.

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A presidente não pretende tomar nenhuma atitude neste momento contra o ministro e continua lhe dando crédito em relação às denúncias, reconhecendo que não apareceu nada diretamente contra ele.

O Planalto comemorou a primeira votação da DRU, que deu vitória ao governo na madrugada desta quarta-feira, com 369 vagas. Mas, a presidente também sabe que ainda há a votação dos destaques, o que será retomado na tarde desta quarta-feira. E ainda será preciso votar o segundo turno na Câmara e os dois turnos da emenda constitucional no Senado - isso significa que precisa dos votos do PDT.

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