Para deixar isolamento, Serra busca aproximação com Alckmin

Após abaixo-assinado para reconduzir Sérgio Guerra à presidência do PSDB, ex-governador age para isolar Aécio

Clarissa Oliveira e Nara Alves, iG São Paulo |

Preocupado com a articulação para afastá-lo do processo que definirá o novo comando do PSDB, o ex-governador José Serra tem agido nos bastidores para dissolver a aliança velada entre o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin , e o senador eleito por Minas Aécio Neves . Irritado com o movimento em favor da recondução do senador Sérgio Guerra (PSDB-PE) à presidência do partido, Serra empenhou-se nos últimos dias em eximir o governador de São Paulo de participação na estratégia, deixando a responsabilidade recair sobre Aécio e Guerra.

Em conversas com aliados, Serra não escondeu a contrariedade com o movimento que resultou na semana passada em um abaixo-assinado endossando a indicação de Guerra para o comando partidário. A produção do documento -- liderada por nomes ligados a Alckmin e Aécio e relatada pelo jornal Folha de S. Paulo --, afastou Serra do processo que definirá em maio a nova Executiva Nacional da sigla. Em mais de uma ocasião, o candidato derrotado ao Planalto irritou-se e até esbravejou ao falar no assunto.

“Um documento como esse não poderia ter saído dessa forma de uma reunião da bancada. Reunião de bancada não decide presidência do partido”, reclamou Serra, em conversa relatada ao iG por um tucano. O ex-governador conversou com mais de um correligionário na semana passada. Em todos os casos, empenhou-se em eximir Alckmin e jogou na conta de Aécio a fatura pela movimentação. Prova da irritação de Serra, afirmam tucanos, é que ele até agora não teria conversado com Guerra. 

Desde que a notícia sobre o abaixo-assinado veio à tona, aliados de Serra intensificaram as críticas ao presidente do PSDB . Entre os aliados de Guerra, entretanto, o argumento é de que a movimentação é legítima. Guerra esteve em São Paulo no fim de semana, para gravar um depoimento para o novo programa de televisão do PSDB. A produção do vídeo está a cargo de integrantes da equipe de comunicação de Alckmin e de Eduardo Guedes , ex-secretário de Aécio.

Disputa

Embora não tenha se colocado abertamente na disputa, Serra deixa correr solta a movimentação em favor de sua indicação para presidir o PSDB. No cargo, o ex-governador ganharia visibilidade e poder para interferir nos processos que definirão os candidatos da sigla para as próximas eleições. Até agora, aliados do candidato derrotado à Presidência avaliam que não está descartada uma candidatura à prefeitura paulistana em 2012. Ainda assim, predomina a tese de que Serra trabalha para viabilizar uma nova candidatura ao Palácio do Planalto, em 2014.

No círculo serrista, a participação de Alckmin na estratégia para reconduzir Guerra ao comando partidário é dada como certa. A esses tucanos, entretanto, o governador paulista tem adotado um discurso parecido com o que repete em compromissos públicos: não se compromete com a articulação em favor da indicação de Sérgio Guerra, mas também não nega integralmente o endosso à iniciativa. Afirma que, para todos os efeitos, Serra nunca disse abertamente que quer ser presidente do PSDB. E que, se o fizer, poderá receber seu apoio.

Serra também teria deixado claro em reservado que não gostou da indicação do ex-senador Tasso Jereissati para presidir o Instituto Teotônio Vilela, fundação ligada ao partido. Embora não tenha objeção ao nome do tucano do Ceará, a vaga aparecia como uma opção para manter sua pojeção na cena política no próximo período. Serra, entretanto, vinha sinalizando internamente que não tinha interesse em comandar o instituto tucano.

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