Em relatório, conselheiros criticam métodos de ministro e afirmam que ele se vale de "valentia pessoal"

A Comissão de Ética Pública (CEP) considera que o ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, "tem inquestionáveis e graves falhas como gestor" e é irresponsável "em seus pronunciamentos públicos" e, por isso, sugeriu à presidenta Dilma Rousseff que ele fosse exonerado.

O ministro Carlos Lupi, durante depoimento na Câmara no começo de novembro
AE
O ministro Carlos Lupi, durante depoimento na Câmara no começo de novembro
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Nesta quinta-feira, Dilma determinou que a CEP, órgão de aconselhamento da Presidência da República, lhe encaminhasse o teor de sua decisão para entender os motivos que levaram à recomendação de demissão do ministro.

No parecer da conselheira Marília Muricy Machado Pinto, divulgado pela Comissão nesta quinta, há duras avaliações sobre a gestão de Lupi no Ministério do Trabalho e em relação às suas declarações públicas desde que começaram a surgir denúncias na mídia envolvendo o ministro e a pasta.

A CEP reconheceu que as irregularidades apontadas por investigações da Polícia Federal, da Controladoria-Geral da União e pelo Tribunal de Contas da União não apontaram vinculação direta do ministro.

Porém, argumentou que "menor importância isso tem, se levarmos em conta as responsabilidades de um ministro de Estado sobre as ações da equipe que comanda."

A relatora considerou que mesmo diante de tantas denúncias, o ministro teve uma atitude que "se misturam aparente indiferença quanto à gravidade das acusações e certa dose de arrogância frente as possíveis consequências dos seus atos."

Ela relembrou as declarações do ministro dizendo que só sairia do governo "abatido a bala", o que na avaliação da Comissão soou como uma afronta à hierarquia da administração pública.

Para a conselheira, Lupi não logrou êxito em se defender das denúncias e que se valeu de "valentia pessoal" para se explicar, postura que é "vedada às altas autoridades da República."

A assessoria do ministério não soube informar se o ministro já havia recebido o parecer completo e afirmou que nos próximos dias apresentará um pedido de reconsideração da decisão.

(Reportagem de Jeferson Ribeiro)

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