Palocci escondeu ‘derrota’ de Dilma, diz livro

Segundo a obra “A vida quer é coragem”, episódio ocorreu no 2º turno da campanha. Palocci proibiu mostrar pesquisas para Dilma

Adriano Ceolin, iG Brasília |

O livro “A vida quer é coragem – a trajetória de Dilma Rousseff, a primeira presidenta do Brasil” relata que, no começo da corrida eleitoral do segundo turno em 2010, pesquisas internas mostravam um quadro de derrota para o adversário José Serra (PSDB). Então um dos coordenadores da campanha, o ex-ministro Antonio Palocci (Casa Civil) proibiu que os dados fossem mostrados a Dilma.

Lançado há um mês, “A vida quer é coragem” é de autoria de Ricardo Batista Amaral. Jornalista com 25 anos de experiência cobertura política, ele participou da campanha de Dilma como um dos integrantes da equipe de comunicação. Na terceira parte do livro, ele escreve que o momento mais difícil da campanha ocorreu na primeira semana após o primeiro turno.

Segundo Amaral, alguns integrantes da campanha tiveram vários pesadelos em que Serra aparecia como vencedor. O então presidente do PT e um dos coordenadores da equipe, José Eduardo Dutra, planejou entregar o comando do partido caso fosse confirmada a vitória tucana.

“As pesquisas internas mostravam que a situação era ainda pior ao fim daquela semana perdida: a vantagem de Dilma estava abaixo de cinco pontos, em queda constante, de acordo com trackings do Vox Populi. Quem levou as más notícias aos coordenadores foi Chico Meira, o sócio de Marcos Coimbra no Vox”, conta Amaral.

Segundo o autor e integrante da campanha, Chico Meira tentou falar com Dilma num hotel em São Paulo quando ela se preparava para participar de um debate na TV Bandeirantes. Meira, porém, encontrou-se antes com Palocci, José Eduardo Cardozo, atual ministro da Justiça e à época também coordenador de campanha, e João Santana, jornalista responsável pelas estratégias de comunicação e marketing.

“A situação era ainda pior, ele disse, porque os eleitores passaram a avaliar mal os atributos da candidata – ela tinha deixado de ser considerada a mais preparada, mais confiável, mais sincera. Ou seja: a tendência era continuar caindo. Chico Meira tinha lágrimas nos olhos quando concluiu: “Nós perdemos essa eleição”.”

O baque foi grande porque muita gente achava (inclusive João Santana) que a vitória de Dilma se daria no primeiro turno. Como o livro de Amaral relata, dois fatores levaram Serra para o segundo turno: as denúncias envolvendo a então chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, e polêmica na internet de que Dilma seria a favor do aborto.

Ainda de acordo com o livro, apesar do diagnóstico do diretor do Vox Populi, Palocci evitou que os dados chegassem a Dilma e deu uma ordem para Chico Meira: “Volte para a casa imediatamente. Aconteceu a mesmíssima coisa com Lula em 2006. Você não vai mostrar isso nem pra ela nem pra ninguém”.

Menina, guerrilha e traída

A história de Palocci protegendo Dilma é só uma das histórias do livro de Amaral. A obra relata como Dilma era na infância, quando ela ganhou uma bicicleta amarela e parou de acreditar em papai Noel. Conta ainda como se deu a formação de Dilma como militante de esquerda e, depois, como foi o papel dela como integrante de um grupo de guerrilha armada. Sobre isso, porém, ressalta que a atual presidenta nunca participou de ações como assaltos a bancos.

O livro conta, ainda, como Dilma foi presa e torturada. Aliás, quando a obra foi lançada, houve grande alarde sobre uma foto da contracapa em que a então militante aparece sendo interrogada por militares . O livro conta como Dilma enfrentou a cadeia. Mais. Que foi avisada de uma traição pelo então namorado e também militante, Carlos Araújo, com a atual atriz global Bete Mendes.

Amaral relata que Dilma perdoou Araújo. Ele é pai de sua única filha, Paula. A obra mostra ainda como os dois reconstruíram suas vidas no Rio Grande do Sul e ingressaram no PDT. Deputado estadual pelo partido, Araújo foi ainda candidato a prefeito de Porto Alegre. Amaral conta que Dilma, ainda no PDT, foi sondada para ser vice de Olívio Dutra (PT) na disputa pelo governo do Rio Grande do Sul

Apesar de ter sido produzido por uma pessoa que trabalhou para Dilma, o livro não omite episódios como “o mensalão” nem as disputas entre integrantes da equipe de comunicação que levaram a divulgação da suposta produção de um dossiê contra José Serra (PSDB). No entanto, a obra ressalta mais as qualidades e êxitos de Dilma do que expõe falhas ou revela seus defeitos.

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