Palocci é convidado para o primeiro escalão de Dilma

Ex-ministro da Fazenda teria pedido o comando da Secretaria Geral da Presidência turbinada, mas pode ir para a Casa Civil

Adriano Ceolin, Andréia Sadi e Clarissa Oliveira |

O deputado Antonio Palocci (PT-SP) está confirmado no primeiro escalão do governo da presidenta eleita Dilma Rousseff . Embora o governo ainda não tenha anunciado o destino do ex-ministro da Fazenda, circulou a versão de que ele pode comandar uma versão turbinada da Secretaria Geral da Presidência. Ainda persiste, entretanto, a avaliação de que seu destino poderá ser a Casa Civil.

Agência Brasil
Palocci deixou a campanha como favorito para a Casa Civil, mas deve ficar com Secretaria Geral da Presidência
O destino do ex-ministro da Fazenda foi discutido em um encontro com Dilma na semana passada, mas a orientação repassada pela presidenta eleita foi a de dar prioridade à montagem final da equipe econômica, anunciada nesta quarta-feira. Segundo aliados do ex-ministro, Dilma o teria convidado a ocupar a Casa Civil, mas a preocupação dele estaria em ficar exposto demais, em função da visibilidade do cargo.

Durante a tarde desta quarta-feira, o nome de Palocci chegou a ser dado como praticamente certo na Secretaria Geral, que hoje é comandada pelo ministro Luiz Dulci e mantém um papel prioritariamente institucional. No fim do dia, entretanto, voltou a se falar na possibilidade de Palocci ficar com a Casa Civil.

Ao longo das últimas semanas, Palocci chegou a ser cogitado também para postos como a Saúde ou presidência da Petrobás. Dilma, entretanto, teria insistido em mantê-lo em um posto de articulação política. Ainda assim, teria sido levantada a possibilidade de o atual ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, ser alocado em uma função que lhe permita auxiliar o trabalho de Palocci. Ligado ao PT paulista, Padilha ganhou a confiança da presidenta eleita durante a campanha. Médico, ele tem sido cotado também para ocupar o Ministério da Saúde no lugar de José Gomes Temporão.

A montagem de uma dupla de articulação composta por Padilha e Palocci seria uma forma de responder aos setores da coalizão que se queixam do poder conquistado pelo ex-ministro da Fazenda durante a campanha. Embora tenha lido levado pelos braços do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a coordenação da campanha presidencial petista, Palocci transformou-se em um dos principais pilares da ação de Dilma durante a corrida presidencial. Ao fim da campanha, o deputado era tido dado como nome certo na Casa Civil. 

Nos últimos dias, entretanto, predominou a versão de que o mais provável ocupante da Casa Civil seria o atual ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. A tese foi reforçada na manhã de hoje, quando Bernardo confirmou ter sido convidado a ficar no governo. Embora não tenha endossado a afirmação de que seu nome está garantido na Casa Civil, as expectativas aumentaram com a indicação da coordenadora do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), Miriam Belchior, para o Planejamento.

Palocci tem a seu favor o fato de ter construído um bom relacionamento com o empresariado. Ainda durante a campanha de 2002, quando era coordenador do programa de governo do então candidato Lula, ele foi o autor da Carta ao Povo Brasileiro, documento em que o hoje presidente firmou compromisso de manter as bases da política econômica de seu antecessor Fernando Henrique Cardoso.

Nas últimas semanas, petistas chegaram a atribuir ao ex-chefe da Casa Civil José Dirceu uma operação para enfraquecer Palocci nas negociações para a montagem do ministério. Dirceu, no entanto, negou que o ex-colega faria sombra a Dilma, elogiou Palocci, mas disse que só a presidenta definiria o cargo do coordenador da transição.

Se Dilma optar por bater o martelo na escolha de Palocci na Secretaria Geral e de Bernardo na Casa Civil, o ex-ministro da Fazenda seria encarregado da interlocução do governo com partidos e com o Congresso, enquanto o atual titular do Planejamento seria encarregado de chefiar os demais ministros, assim como fez Dilma de 2005 até março último. "Palocci seria, assim, o ministro dos partidos e Paulo Bernardo, o ministro dos ministros", disse um interlocutor de Dilma.

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