Palocci deixa governo; Gleisi Hoffmann assume Casa Civil

Missão da nova ministra é de 'gestão' e 'acompanhamento de projetos'; articulação política do governo deve sofrer alterações

Adriano Ceolin, iG Brasília, e Ricardo Galhardo, iG São Paulo |

Chefe da Casa Civil até esta terça-feira, Antonio Palocci está fora do governo e sua substituta é a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR). Mesmo após a Procuradoria-Geral da República ter decidido arquivar os pedidos de investigação sobre a evolução patrimonial do ministro, a avaliação do governo foi a de que a escalada da crise tornou sua permanência no cargo insustentável.

A nova ministra da Casa Civil, que será empossada na tarde desta quarta-feira (8), adiantou que sua missão à frente da pasta é a de gestão” e “acompanhamento de projetos”. “ A presidenta Dilma quer o funcionamento da Casa Civil na área de gestão, de acompanhmento dos processos, dos projetos ”, disse a senadora. "Ela disse que meu perfil é o perfil que se adequa ao que ela pretende agora na Casa Civil", completou.

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Nova ministra Gleisi Hoffmann concedeu entrevista ao lado de senadores do PT

Com a escolha, a expectativa é a de que Dilma faça alterações na articulação política do governo. A expectativa do PT, é a de que o ministro das Relações Institucionais, Luiz Sérgio, também deve sair do cargo .

Casada com o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, a senadora de 45 anos tomou a iniciativa de comunicar o PT que recebeu o convite e disse que confirmou a decisão de aceitar a nova função. Gleisi foi o último nome a entrar nas negociações para a vaga. Antes dela, foram sondadas opções como a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, e até mesmo seu marido, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo.

Conhecida nos corredores do Congresso pela beleza, Gleisi rejeitou o rótulo de musa em uma entrevista concedida ao iG em abril deste ano. " Não sou musa do Senado. Sou uma mulher que se cuida. ", disse. Gleisi exerce atualmente seu primeiro mandato de senadora.

Saída

A saída de Palocci foi confirmada em nota divulgada no fim do dia pela Casa Civil. O documento diz que o ex-ministro "considera que a robusta manifestação do procurador-geral da República confirma a legalidade e a retidão de suas atividades profissionais".

Embora a versão oficial seja a de que Palocci pediu demissão, o ministro segurou-se até o último minuto no cargo. Só saiu depois que a presidenta avaliou que não havia mais condições políticas de mantê-lo no ministério.

A saída ficou evidente quando senadores da base aliada começaram a assinar na tarde de terça-feira (7) o pedido de criação de uma CPI para investigar a evolução patrimonial do ministro. A percepção geral no Planalto foi a de que uma investigação congressual contaminaria todo o governo e poderia provocar um estrago ainda maior.

Outro ponto que jogou contra a Palocci foi a resistência da bancada petista no Senado em fazer uma manifestação formal de apoio ao ministro, a exemplo do que fez a executiva nacional do PT na semana passada. A avaliação de setores do PT é a de que Dilma deve registrar uma queda de aproximadamente 15 pontos nas pesquisas de popularidade do governo, em decorrência da crise aberta por Palocci.

AE
Avaliação do governo é a de que a situação do ministro tornou-se insustentável

Leia a íntegra da nota da Casa Civil:

O ministro Antonio Palocci entregou, nesta tarde, carta à presidenta Dilma Rousseff solicitando o seu afastamento do governo.

O ministro considera que a robusta manifestação do Procurador Geral da República confirma a legalidade e a retidão de suas atividades profissionais no período recente, bem como a inexistência de qualquer fundamento, ainda que mínimo, nas alegações apresentadas sobre sua conduta.

Considera, entretanto, que a continuidade do embate político poderia prejudicar suas atribuições no governo. Diante disso, preferiu solicitar seu afastamento.

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