Palocci agora aguarda posição de Dilma sobre explicações

Após entrevista, clima no governo é o de que presidenta agora decidirá se ministro tem condições de ficar no cargo

Nara Alves, iG São Paulo, e Adriano Ceolin, iG Brasília |

Um dia depois de o ministro Antonio Palocci vir a público para explicar seu patrimônio, setores do governo retomaram algumas palavras de apoio ao chefe da Casa Civil. Nos bastidores, entretanto, as pressões por uma demissão ainda alimentam a avaliação de que o destino do ministro depende da satisfação da presidenta Dilma Rousseff com os esclarecimentos.

Palocci apostou na entrevista que concedeu na noite de ontem ao Jornal Nacional para tentar esfriar a crise em torno de sua evolução patrimonial. Hoje, auxiliares diretos do ministro admitiam nos bastidores que só resta aguardar para saber qual será a decisão da presidenta quanto ao destino do chefe da Casa Civil.

Como o iG revelou ontem, Palocci sinalizou a aliados que não está disposto a tomar a iniciativa de abrir mão do cargo . Assim, caberia a Dilma demitir o auxiliar, se avaliar que sua situação atingiu um ponto insustentável. No governo, já circulam nomes de possíveis substitutos, com base na tese de que a presidenta poderia optar por uma escolha “técnica”. Com isso, a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, passou a constar da lista de apostas .

Embora setores do governo e do PT tenham pedido sua cabeça nos últimos dias, Palocci ganhou hoje uma manifestação explícita de apoio do vice-presidente Michel Temer. Os dois entraram em atrito no fim do mês passado, por causa do andamento de projetos do governo no Congresso. Palocci teria ameaçado demitir ministros do PMDB caso o partido não apoiasse a posição da presidenta na votação do Código Florestal.

Hoje, Temer disse ser a favor da permanência de Palocci no cargo. “A decisão sobre se ele vai continuar é da presidenta. Eu sou favorável a ele, não tenho nenhuma objeção. Ele deve continuar”, afirmou Temer, que se afastou da crise em Brasília para participar, em São Paulo, de um ato organizado para comemorar novas filiações ao PMDB. Na lista de adesões à sigla, está o do deputado Gabriel Chalita (SP), pré-candidato à Prefeitura de de São Paulo em 2012. Temer fez elogios a Palocci, alegando que o ministro tem uma “capacidade administrativa extraordinária”.

A entevista concedida por Palocci também repercutiu entre parlamentares. O líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) investiu no discurso de que as explicações do ministro foram satisfatórias. “Ficou claro que, primeiro, não houve tráfico de influência. Segundo, todos os fatos ocorreram no ano passado. E, terceiro, não houve informações privilegiadas do governo que orientaram seu trabalho. Portanto, como bem disse o Palocci, os problemas da empresa são problemas da empresa do Palocci, não são problema do governo”, afirmou Vaccarezza. O líder evitou, entretanto, fazer avaliações sobre a permanência do ministro no cargo. “Cabe à presidenta Dilma tratar deste assunto”, emendou.

Palocci ganhou uma manifestação aberta de apoio também em Ribeirão Preto, seu berço político. Um grupo de petistas aproveitou um encontro local para aprovar uma nota de desagravo ao ministro."Manifestamos total apoio ao companheiro filiado ao PT de Ribeirão Preto, construtor dessa macrorregião", diz a nota, proposta pelo presidente estadual do partido, Edinho Silva.

Oposição

Líderes da oposição, por outro lado, insistiram hoje no discurso em favor da criação de uma CPI para investigar o caso de Palocci. O líder do DEM no Senado, Demóstenes Torres (GO), disse estar convicto de que será possível obter as 27 assinaturas necessárias para a instalação da comissão. “É inevitável a CPI”, disse Demóstenes.

Faltam oito assinaturas para que a comissão possa funcionar no Senado. A expectativa é que os senadores do chamado "PMDB rebelde" endossem a criação da comissão - até agora só os peemedebistas Roberto Requião (PR) e Jarbas Vasconcelos (PE) aderiram ao pedido de CPI.

Para o líder do DEM na Câmara, Antonio Carlos Magalhães Neto (BA), a situação de Palocci é “insustentável”. “Não tem mais como ele ser mantido como ministro”, disse. A oposição vai insistir para que Palocci seja convocado para depor na Comissão de Agricultura da Casa. O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), vai decidir se a convocação aprovada na comissão na quarta-feira é válida ou não.

*Com iG São Paulo e informações da Agência Estado

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