Paim se mostra aberto a acordo para votar em mínimo de R$ 545

Em conversa com o iG, senador visto como foco de resistência à proposta do Planalto diz que 'risco do governo é zero'

Adriano Ceolin, iG Brasília |

Até então considerado uma barreira no Senado para a aprovação do salário mínimo de R$ 545, o senador Paulo Paim (PT-RS) sinalizou a intenção de apoiar a proposta desde que tenha abertura para negociar uma política de aumento real dos aposentados e uma proposta alternativa para o fim do fator previdenciário (aprovado no Senado, mas que tramita na Câmara).

Agência Brasil
Visto como foco de resistência ao governo, o senador Paulo Paim (PT-RS) diz que vota a favor do Planalto se puder negociar pontos como o fim do fator previdenciário
Em entrevista ao iG , Paim confirmou que está bem propenso a votar na proposta de aumento do mínimo defendida pela presidenta Dilma Rousseff . “Isso, isso. Levando em consideração os outros temas ( política de aposentados e fator previdenciário ), eu acho que dá para caminhar ( votar na proposta de R$ 545 ) para não ter que voltar para a Câmara”, disse.

Como se trata de projeto de lei, uma mudança no texto aprovado no Senado obriga uma nova votação na Câmara. Ninguém acredita, no entanto, na possibilidade de isso ocorrer. Para marcar posição, o PSDB e o DEM deverão apresentar, respectivamente, emendas com os valores de R$ 600 e R$ 560 para o salário mínimo.

Para Paim, a vitória do governo deverá ser tranquila. “Não tenho nenhuma dúvida. O risco do governo é zero. Meu voto tem mais um simbologia do que qualquer outra coisa. Eu trato do salário mínimo há 30 anos”, disse. Leia os principais trechos da entrevista:

iG - O senhor está decidido a apresentar a emenda para o aumento de R$ 560?
Paulo Paim – Antes, há duas questões: a dos aposentados e a do fator previdenciário. Isso eu conversei com alguns deputados, já que o projeto que acaba com o fator previdenciário está na Câmara. Falei com alguns senadores. Agora vamos ter uma conversa com as centrais na terça-feira (22) .

iG – Com a Força Sindical?
Paim – Todas. CUT, Força...

iG – Agora, a orientação do governo e do PT vai ser pelo valor de R$ 545. O senhor pretende ir contra?
Paim – Tudo vai depender das conversas que vamos ter com as centrais, com as confederações e com os parlamentares. Estou falando com eles. E nós vamos ter uma conversa na terça-feira com a bancada do PT e com alguns ministros.

iG – Com quais ministros?
Paim – Disseram que o Guido Mantega ( ministro da Fazenda ) e o Nelson Machado ( secretário-executivo da Fazenda ) terão uma reunião com a bancada do PT. Eu questiono o que é melhor: dar o adiantamento de R$ 15, que como dizem dá R$ 0,50 por dia ( proposta de R$ 560 ), ou nós conseguirmos assegurar que se faça uma política para os aposentados e também que se modifique o fator previdenciário. Claro que essas duas últimas são muito mais importantes. Até porque a política salarial do governo é a melhor da história do País. Isso está consagrado. Ninguém pode negar.

iG – Agora se ficar apenas no aumento de R$ 545 é ruim?
Paim – Se nós conseguirmos avançar na negociação do fator previdenciário e da política dos aposentados, não. O que é fundamental para o governo é não ter emenda ao projeto de aumento do salário mínimo para que a proposta não volte a tramitar na Câmara. E se a política salarial é boa, eu tenho de tentar avançar numa outra negociação paralela. Na época em que se votou a reforma da Previdência no começo do governo Luiz Inácio Lula da Silva , eu disse que poderia votar com o governo se tivesse uma proposta alternativa. Disse: 'não só voto, como defendo'. Daí eles ( do governo ) me apresentaram a Proposta de Emenda Constitucional paralela e votei com o governo e defendi, inclusive. Agora com o salário mínimo, a minha posição é essa ( de negociar e até votar com o governo ) . Então, se vier algo nesse sentido, acho que dá. Vai acabar havendo acordo.

iG – O senhor também acha ruim fazer com que o projeto volte para a Câmara?
Paim – Isso. A política salarial do governo é boa.

iG – E a questão do artigo terceiro do projeto, que permitirá ao governo definir o salário mínimo por decreto?
Paim – Sinceramente isso para mim não é problema. É uma questão mais de análise. Eu sou pragmático. Eu quero que essa atual política do salário mínimo não seja alterada para os próximos 10 anos. É a visão de cada um. Eu até entendo aqueles que dizem se tratar de uma questão de independência. Mas eu estou preocupado com o trabalhador. E se essa política atual continuar para os próximo dez anos, nós vamos chegar a um salário mínimo de US$ 1.000, que eu sempre sonhei na minha vida. Porque hoje o salário mínimo está vinculado ao aumento da inflação mais o PIB ( Produto Interno Bruto ). Já escrevi dois livros sobre o salário mínimo. E essa política atual é a melhor da história do País.

iG – Então o senhor está bem propenso a apoiar o governo?
Paim – Isso, isso. Levando em consideração os outros temas ( política de aposentados e fator previdenciário ), eu acho que dá para caminhar ( votar na proposta de R$ 545 ) para não ter que voltar para a Câmara.

iG – Mas o senhor tenta negociar uma política para os aposentados?
Paim – No ano passado, nós tivemos uma grande peleia, com vigília e conseguimos os 7,72% de aumento. Agora o que eu quero é discutir como vai ficar a questão daqui para frente.

iG – O que o senhor está propondo?
Paim – No governo Lula, nós conseguimos avançar para ter aumento real. Não ter só inflação. É isso que eu quero. Ter aumento real do pagamento das aposentadorias. Pelo menos discutir algum aumento real e não só inflação.

iG – Mas não tem nenhuma proposta definida.
Paim – Não tem. Vou sentar com as centrais.

iG – E a questão do fator previdenciário?
Paim – Esse é um tema que eu já conversei com Garibaldi Alves Filho ( senador e atual ministro da Previdência ). Nós estamos dispostos a sentar e construir uma alternativa ao fator. Nós acabamos com o fator no projeto que votamos no Senado, mas agora está empacado na Câmara. E lá começa a surgir a ideia de um projeto substitutivo. Então vamos trabalhar em cima desse projeto substitutivo. O relator é o deputado Pepe Vargas (PT-RS).

iG – Então deve ser tranquila a votação do salário mínimo no Senado?
Paim – Não tenho nenhuma dúvida. O risco do governo é zero. Meu voto tem mais um simbologia do que qualquer outra coisa. Eu trato do salário mínimo há 30 anos.

iG – Mas o senhor, pelo que o senhor disse, não está disposto a ir contra o governo nesta primeira votação, principalmente se houver uma negociação em torno dos outros temas.
Paim – Isso, isso. Com certeza não.

    Leia tudo sobre: Paulo PaimSalário MínimoGoverno

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG