Pagura assinou folhas de ponto em hospital de Sorocaba

Documentos contradizem versão do ex-secretário, acusado de receber dinheiro público por plantões em hospital sem trabalhar

AE |

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A investigação do Ministério Público e da Polícia Civil de Sorocaba na Operação Hipócrates contradiz a versão do ex-secretário de Esportes, Lazer e Juventude de São Paulo Jorge Roberto Pagura. O médico diz que não fez nem recebeu por plantões no Conjunto Hospitalar de Sorocaba (CHS), mas, em um armário da Diretoria Regional de Saúde em Sorocaba, foram encontradas folhas de ponto assinadas por ele.

Seu advogado, Frederico Crissiuma Filho, afirmou que as folhas dizem respeito ao trabalho de assessoria que Pagura prestava ao CHS na instalação de um centro de neurocirurgia. Segundo ele, o médico recebia apenas do Sistema Único de Saúde (SUS) e, quando foi convidado para assumir a secretaria, pediu a suspensão dos rendimentos.

Sobre um diálogo do médico com o ex-diretor do CHS Ricardo Salim considerado prova de irregularidade, o advogado disse que as frases foram mostradas fora de contexto. "O dr. Pagura perguntava se estava tudo certo com a parte administrativa do contrato dele." Segundo ele, o médico ia regularmente a Sorocaba para prestar a assessoria.

O diálogo foi mostrado no Fantástico, da Rede Globo. Em certo ponto, Salim diz a Pagura: "O teu ponto está sob controle, mas vamos tomar cuidado. Semana que vem, vamos pôr em algum lugar mais seguro." Depoimentos de outros investigados confirmam que o médico era escalado para plantões, embora nunca tenha aparecido no hospital.

Pagura é concursado pelo extinto Instituto Nacional de Assistência Médica e Previdência Social (Inamps), absorvido pelo SUS. Entre 1997 e 2000, foi secretário municipal de Saúde, na gestão Celso Pitta. Foi contratado para trabalhar em Sorocaba em 2009, por intervenção de Salim.

Para prestar serviços à rede estadual, Pagura teve de ser cedido pelo SUS à Secretaria da Saúde. Apesar de lotado na Diretoria Regional de Saúde, ele deveria prestar serviços ao CHS. O neurocirurgião se desligou em dezembro de 2010, quando foi convidado por Geraldo Alckmin para a Secretaria de Esportes. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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