Ex-diretor-geral fez questão de discursar aos antigos subordinados antes de deixar órgão, após série de denúncias de corrupção

Por iniciativa própria, Luiz Antônio Pagot falou ao corpo de funcionários do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) hoje pela manhã, antes de entregar seu pedido de demissão .

Pagot fez um discurso carregado de emoção a centenas de funcionários no auditório do prédio do Dnit, em Brasília, exaltando as virtudes do órgão e contestando as críticas de corrupção na instituição.

O ex-diretor-geral do Dnit agradeceu os esforços de todos, porque entende que a produção do Dnit supera em muito a falta de estrutura do órgão, que, para ele, têm menos funcionários e recursos administrativos do que precisaria. “Esse esforço não foi só do diretor-geral, mas de todos vocês”, afirmou.

Ele lembrou que conseguiu elevar a cerca à casa do bilhão por mês o volume de investimentos do Dnit e disse que o pedido de demissão é irrevogável.

Assim como fez no Congresso no início do mês, ele voltou a questionar a declaração do ministro Jorge Hage, que disse que o Dnit teria um DNA corrupto.

Alguns dos funcionários do Dnit presentes aplaudiram-no de pé ao fim do discurso e se dirigiram para cumprimentá-lo, antes de ele deixar o auditório da casa.

De acordo com o Ministério dos Transportes, Pagot já solicitou à presidente Dilma Rousseff sua exoneração do cargo no qual estava desde 2006.

Desde o início do mês, quando estourou na imprensa o escândalo envolvendo denúncias de corrupção, cobrança de propina e tráfico de influência no Ministério dos Transportes e principais estatais (Dnit e Valec), a crise provocou a demissão do então ministro Alfredo Nascimento, do diretor da Valec, José Francisco das Neves, e de outros 15 integrantes da área.

Antes de comunicar o afastamento do cargo, Pagot entrou em férias, que se encerrariam em 6 de agosto, mas antecipou o prazo com o pedido de demissão.

* Com Agência Estado

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