Pagot formaliza demissão do Dnit na Presidência da República

Ex-diretor do órgão estava em férias desde o começo de julho, quando foi envolvido em denúncias de corrupção

Adriano Ceolin, iG Brasília |

Luiz Antônio Pagot oficializou hoje sua demissão da direção-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). Ele comunicou a demissão ao ministro Paulo Sérgio Passos (Transportes), mas fez questão de formalizá-la na Presidência da República.

AE
Pagot pede demissão da direção do Dnit
Segundo o iG apurou, ele disse a amigos que entregararia sua carta de demissão ao ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência, visto como principal representante do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no governo Dilma Rousseff .

A saída de Pagot do Dnit foi divulgada por meio de nota à imprensa pela pasta dos Transportes. "O Ministro de Estado dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, recebeu na manhã de hoje o pedido de cancelamento das férias do diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), Luiz Antônio Pagot, programadas para o período de 25 de julho a 04 de agosto. No mesmo documento, o diretor comunicou que já solicitou à Presidenta da República sua exoneração do cargo de Diretor-Geral do DNIT", diz o texto.

Oficialmente, Pagot está em férias desde o dia 4 de julho. Na data, porém, foi anunciado seu afastamento da direção-geral do Dnit após publicação de reportagem da revista Veja que apontava cobrança de propina no órgão e no Ministério dos Transportes - ao qual o departamento é vinculado.

Padrinho da indicação de Pagot no Dnit, o senador Blairo Maggi (PR-MT) saiu em defesa do diretor do Dnit. Numa reunião do Palácio do Planalto no dia 6 de julho, bateu de frente com as ministras Ideli Salvatti (Relações Institucionais) e Gleisi Hoffmann (Casa Civil).

Quase ao mesmo tempo, a demissão do então ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, foi oficializada. À noite, no dia 6, Blairo foi chamado às pressas para uma reunião com ministro Carvalho. De novo, o senador disse que Pagot era alvo de uma injustiça. Carvalho tentou amenizar. Procurou negociar um pedido de férias para o diretor do Dnit e disse que a presidenta Dilma queria convidar Blairo para ser ministro dos Transportes. O senador recusou a proposta

Na imprensa, apareceram declarações de Pagot envolvendo o nome do ministro das Comunicações, Paulo Bernardo. Ele teria dito que agia de acordo com ordens do ministro, que até o fim do ano passado comandava a pasta do Planejamento.

Convidado para falar sobre as denúncias na Câmara e no Senado, Pagot, no entanto, poupou Paulo Bernardo e ainda saiu em defesa da presidenta Dilma. Quem esperava um depoimento bombástico ouviu um traque.

Ainda no depoimento, Pagot ressaltou que estava em férias e que, portanto, não havia se demitido. Blairo defendeu que ele permanecesse no Dnit caso não fossem comprovadas as denúncias. A ministros e demais interlocutores, porém, Dilma sempre confirmou que, ao regressar das férias, Pagot seria demitido.

Na sexta-feira, o senador jogou a toalha. “Não há mais clima”, disse em Mato Grosso. Em acordo com Blairo, Pagot pediu para entregar a demissão a Carvalho.

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