Disputa por cargos de 2º escalão no Ministério da Saúde deu origem a uma guerra entre PT e PMDB; estopim foi a SAS

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Uma semana depois de substituir o titular da Secretaria de Atenção à Saúde (SAS) à revelia do PMDB, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, nomeou hoje o petista Jarbas Barbosa para a Secretaria de Vigilância em Saúde. Barbosa é ligado ao ex-ministro e senador eleito Humberto Costa (PT-PE) e já ocupou o mesmo cargo durante a passagem do petista na Saúde.

O antecessor de Jarbas Barbosa era Gerson Penna, ligado ao ex-ministro José Gomes Temporão (PMDB). A secretaria de Vigilância em Saúde é uma das mais importantes do ministério. Ela é responsável por ações de combate à dengue e pelo programa de prevenção da aids.

Os peemedebistas evitaram comentar a nova nomeação feita por Padilha. "Isso não é crise. Crise seria se tivessem nomeado alguém para a Funasa (Fundação Nacional de Saúde)", disse o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). A eventual nomeação de um petista para a presidência da Funasa, cargo da cota do PMDB, acarretou a primeira crise no governo de Dilma Rousseff.

A disputa por cargos de segundo escalão no Ministério da Saúde deu origem a uma guerra entre PT e PMDB. O estopim foi a Secretaria de Atenção à Saúde: Padilha exonerou do cargo Alberto Beltrame e colocou Helvécio Martins, ex-secretário de Saúde de Belo Horizonte, por indicação do PT mineiro.

Embora os R$ 45 bilhões dessa secretaria não estejam carimbados para investimentos - são repasses ao Sistema Único de Saúde (SUS) -, o partido que ocupa o posto tem grande visibilidade no País, o que se traduz em votos.

Depois de nomear Helvécio Martins, o ministro Padilha tentou mudar a presidência da Funasa, que tem orçamento de R$ 5 bilhões e cerca de R$ 1 bilhão para saneamento nas pequenas cidades. A Funasa é feudo do PMDB e o atual presidente Faustino Lins é indicação do líder do partido na Câmara, Henrique Alves (RN).

Para o lugar de Faustino, o PT de Minas Gerais indicou o empreiteiro Gilson de Carvalho Queiroz Filho, presidente do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de Minas Gerais (Crea-MG). Os peemedebistas, que ainda tentam impedir essa nomeação, dizem que a indicação de Gilson corre riscos, pois sua empreiteira já fez obras para a Funasa e é alvo de uma tomada de contas especial no Tribunal de Contas da União (TCU).

Em represália à eventual substituição na Funasa, os peemedebistas ameaçaram votar a favor de um salário mínimo superior aos R$ 540 estipulados pelo Palácio do Planalto. Com isso, o PMDB conseguiu que Padilha não nomeasse um petista para a Funasa, deixando as negociações suspensas até o mês que vem.

Assessores

Além do Ministério da Saúde, o Diário Oficial de hoje publicou a nomeação de seis assessores para o gabinete pessoal de Dilma Rousseff. Parte deles trabalhou com a presidente na época em que ela era ministra-chefe da Casa Civil, no governo de Luiz Inácio Lula da Silva, e integrou a equipe de transição para o novo governo.

Foram nomeados Mauricio Muniz Barreto de Carvalho, Anderson Braga Dorneles, Marly Ponce Branco, Cleonice Maria Campos Dorneles, Rosária de Fátima do Carmo e Georgina Fagundes Correia.

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