Orestes Quércia é velado no Palácio dos Bandeirantes

Ex-governador de SP morreu nesta sexta; Alckmin, Goldman e Marta Suplicy foram ao velório; cerca de 1.500 pessoas compareceram

Cíntia Acayaba, iG São Paulo |

Futura Press
Velório de Orestes Quércia, em SP
O corpo do ex-governador de São Paulo e presidente estadual do PMDB, Orestes Quércia, chegou ao Palácio dos Bandeirantes por volta das 13h50 e foi recebido pelo atual chefe da Casa Civil, Luiz Antônio Marrey, com honras militares. O caixão foi coberto pela bandeira do Estado de São Paulo e posicionado ao centro do hall principal. Quércia morreu na manhã de hoje vítima de câncer na próstata , de acordo com o hospital Sírio-Libanês, na capital paulista.

Um dos primeiros políticos a chegar ao velório foi o governador eleito de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), que lembrou da papel de Quércia no processo de democratização. “"Ele foi senador pelo manda brasa (antigo MDB). Foi muito importante na redemocratização. Sempre foi um líder municipalista e defendeu a descentralização. Nos apoiou muito na última eleição. Viajávamos muito pelo Estado, conversávamos bastante. Deixo nosso carinho, sentimentos e nossas orações”, disse Alckmin, um dos primeiros a falar com a imprensa, já na saída do Palácio dos Bandeirantes.

A vice-prefeita da capital paulista, Alda Marco Antonio (PMDB); o ministro da Agricultura, Wagner Rossi (PMDB); o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, Barros Munhoz (PSDB), o governador de São Paulo, Alberto Goldman e os senadores eleitos Aloysio Nunes (PSDB) e Marta Suplicy (PT) também visitaram o local.
Agência Estado
Ex-governador de São Paulo Orestes Quércia é velado no Palácio dos Bandeirantes, em SP

Para o peemedebista Wagner Rossi, que compareceu ao velório, Quércia se tornou uma das figuras mais importantes do país ao derrotar o militar Carvalho Pinto, da Arena, na disputa ao Senado, em 1974. “Foi a primeira vez que sentimos que a ditadura não era imbatível”, lembrou. Questionado como fica o Quercismo em São Paulo, Rossi declarou que é “um movimento importante, mas é de outra época". "O que existe é um peemedebismo e o PMDB é um partido muito forte”, afirmou o integrante do governo federal.


Aloysio Nunes, que conquistou uma vaga no Senado depois que Quércia saiu da disputa, afirmou que o ex-governador foi um grande organizador do MDB, um senador corajoso e um político de palavra. “Ele foi o primeiro governante do Estado a colocar o tema da criança e da juventude na agenda, criando para isso uma secretaria”, declarou sobre a trajetória do ex-governador. Aloysio comentou ainda a aliança entre tucanos e peemedebistas no Estado. “Houve uma aliança inédita entre PMDB e PSDB no Estado. Quércia ajudou muito na vitória de Alckmin e na minha vitória.” O PMDB paulista contrariou a orientação nacional do partido e não apoiou a candidatura da presidenta eleita Dilma Rousseff à Presidência da República.

O governador de São Paulo Alberto Goldman (PSDB) também lamentou a morte de Quércia. "Sentimos imensamente a perda do Quércia, figura que marcou a política de São Paulo. Estivemos juntos durante a ditadura e (lutamos) pela redemocratização. Depois, participei imensamente da campanha dele em São Paulo. Convivi com ele até 1997 no PMDB, depois nos separamos, tínhamos visões diferentes."

Para o governador, o peemedebista era "um homem muito aberto, falava o que pensava, cumpria compromissos. Sempre teve uma posição muito progressista". Sobre a trajetória do ex-governador, Goldman afirmou que Quércia é um “político do passado”, mas de uma “parte saudável do passado”. "Quércia fazia 'uma política de fio de bigode', uma política antiga, mas séria, porque era uma política em que se cumpria as coisas. Você conversava, não precisava escrever e registrar em cartório".

O deputado Barros Munhoz também lembrou o embate pelo Senado entre Quércia e Carvalho Pinto e qualificou o ex-governador como "um grande empreendedor". Na opinião de Munhoz, Quércia "organizou o PMDB em São Paulo".

A senadora eleita do PT Marta Suplicy chegou ao local por volta das 17h e destacou características de Quércia. “Ele foi um político que fez muita diferença para São Paulo, foi um desenvolvimentista que teve um papel importante na redemocratização". Ela afirmou que não foi ao velório para representar seu partido, mas sim "a si mesma".

Outro membro do PT que compareceu ao Palácio dos Bandeirantes foi o deputado federal José Genoino, que lembrou das vezes que teve contato com Quércia na resistência política. “Ele teve um papel destacado. Eu inclusive o conheci quando era preso político em 1974. Ele visitava os presos políticos na penitenciária como candidato a senador. Depois a gente se encontrou nas campanhas das Diretas e na Constituinte. Por tanto ele tem um legado muito importante que eu não podia deixar de reconhecer”.

Luto e família

Em razão da morte de Quércia, o governo do Estado de São Paulo decretou luto oficial. Goldman assinou nesta sexta-feira o decreto de luto de sete dias, que será publicado amanhã (dia 25) no Diário Oficial.

Orestes Quércia morreu na manhã desta sexta-feira, aos 72 anos, vítima de câncer na próstata. Ele havia tratado da doença há 10 anos, mas o tumor reincidiu, o que o levou a desistir da candidatura ao Senado neste ano.

A mulher de Quércia, Alaíde, o filhos e familiares receberam os cumprimentos de amigos e políticos que foram velar o corpo do ex-governador.  A pedido da família, que não quis dar entrevistas, o velório teve música clássica como fundo musical.

O Cardeal Dom Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano de São Paulo, participou da missa de corpo presente que ocorreu por volta das 18h. O velório foi encerrado ao público por volta das 19h30, mas algumas pessoas ainda permaneciam no hall principal para se despedirem do ex-governador. O velório segue aberto a familiares e amigos. Cerca de 1.500 pessoas, segundo a Polícia Militar, passaram pelo velório na tarde desta sexta-feira.

O deputado federal eleito por São Paulo, Paulo Maluf (PP), o empresário Silvio Santos, o governador do Estado, Alberto Goldman, e o governo de São Paulo, entre outros, enviaram coroas de flores ao velório. O enterro deve começar às 9h deste sábado no Cemitério do Morumbi.


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