Oposição vincula votação da Lei da Copa ao Código Florestal

Governo muda questão da venda de bebidas alcoólicas nos estádios, mas Lei da Copa não deverá ser votada até acordo com ruralistas

iG São Paulo |

Na tentativa de aprovar a Lei Geral da Copa na Câmara dos Deputados, o governo voltou a mudar de posição nesta terça-feira na questão da comercialização de bebidas alcoólicos em estádios e abriu negociação com a oposição, que quer vincular a votação do projeto a uma data para a Casa analisar o Novo Código Florestal.

Lei Geral da Copa: Votação é adiada e Fifa vai negociar álcool com Estados

A oposição promete se aliar à bancada ligada à agropecuária e atrapalhar a votação da Lei Geral, a não ser que o governo defina uma data para a votação de um outro projeto polêmico: o Novo Código Florestal. Por não haver acordo sobre um calendário de votação desse texto, a Lei da Copa não será votada nesta terça-feira, segundo líderes da oposição.

"Se não houver essa data, não temos interesse em votar ( a Lei Geral da Copa )", disse a jornalistas o líder do PSDB na Câmara, Bruno Araújo (PE).

O líder tucano vê um descontentamento com o governo entre os parlamentares ligados ao agronegócio, por conta da demora na votação do Novo Código.

"A bancada ruralista está achando que levou uma bola nas costas do governo", disse.

O Palácio do Planalto busca adiar a votação do Código Florestal temendo uma derrota. Na última semana a articulação política do governo no Congresso sofreu turbulências que resultaram na troca dos líderes do governo na Câmara e no Senado .

Entenda a polêmica entorno do novo Código Florestal

Bebida alcoólica

Após reunião entre líderes da base e os ministros Aldo Rebelo (Esporte) e Ideli Salvatti (Relações Institucionais), ficou acertado que o texto da Lei da Copa que vai à votação apenas suspenderá a legislação federal que trata da venda de bebidas em estádios.

Essa manobra abre margem à interpretação de que caberá aos Estados decidir se suspendem durante o Mundial leis locais que proíbem a venda de bebidas alcoólicas nas arenas esportivas.

Coluna Poder Econômico antecipou a manobra

Na avaliação do ministro do Esporte, "o governo manteve a posição de defender o cumprimento das garantias" assumidas pelo país junto à Fifa, o que inclui a permissão de venda de bebidas alcoólicas nos estádios durante a Copa.

O ministro Aldo Rebelo argumentou que os governadores dos Estados que receberão partidas da Copa também assinaram compromissos junto à entidade.

Para o relator da Lei Geral da Copa, deputado Vicente Cândido (PT-SP), que também participou da reunião, a Fifa teria de negociar a liberação da venda de bebidas alcoólicas com sete Estados.

A questão é sensível para a Fifa, que tem uma marca de cerveja entre seus principais patrocinadores.

Garantia de aprovação

Líderes aliados reconhecem que a mudança de posição no ponto da Lei Geral da Copa que trata da venda de bebidas alcoólicas facilita a aprovação da matéria.

"Na opinião da maioria, (a mudança no texto) facilita a aprovação do acordo feito pelo governo com a Fifa", disse o líder governista na Casa, Arlindo Chinaglia (PT-SP).

Para o líder do PT, Jilmar Tatto (SP), a mudança realizada no texto nesta terça "garante a vitória, do governo e do Brasil".

Na semana passada o governo chegou a afirmar que a liberação da venda de bebidas alcoólicas nos estádios não estava explícita nos compromissos que assumiu com a Fifa.

Posteriormente, no entanto, voltou atrás e garantiu que todos os compromissos assumidos com a entidade que comanda o futebol mundial, inclusive o que trata da comercialiazação de bebidas alcoólicas, seriam cumpridos.

(Com Reuters e reportagem de Adriano Ceolin, iG Brasília)

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