PSDB defende audiência com dois homens da pasta citados em nova denúncia. Líder comunista diz que não há provas contra ministro

Ministro do Esporte, Orlando Silva
AE
Ministro do Esporte, Orlando Silva
O líder do PSDB na Câmara, Duarte Nogueira (SP), anunciou neste sábado que vai pedir no Congresso a convocação de dois funcionários do Ministério do Esporte acusados de participar de um suposto  esquema de desvio de recursos do programa Segundo Tempo . De acordo com  reportagem da revista Veja desta semana, Fábio Hansen e Charles Rocha foram flagrados em conversa gravada negociando uma solução para a prestação de contas da entidade comandada pelo policial militar João Dias Ferreira _que é também o delator do caso.

Na noite de ontem, o iG antecipou o depoimento de Dias Ferreira à Polícia Federal em que ele fala sobre fitas que serveriam como prova da existência do esquema.  A reportagem do portal também explica que, entre as gravações, estava uma conversa com Hansen.

A nova denúncia da revista Veja surge um dia depois de a presidenta Dilma Rousseff ter decidido manter o ministro Orlando Silva no comando da pasta do Esporte . A primeira reportagem da revista sobre o caso afirmava que ele teria recebido dinheiro de propina na garagem do Ministério. A acusação partiu também do policial militar Dias Ferreira. “Por um dos operadores do esquema, eu soube na ocasião que o ministro recebia dinheiro na garagem”, disse o policial. Segundo ele, o esquema existe no Ministério do Esporte desde a administração do antecessor de Orlando Silva, o ex-ministro e atual governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (Ex-PC do B e hoje no PT).

PCdoB cobra provas

O líder do PCdoB, Osmar Júnior (PI), considerou frágil a nova acusação de Dias Ferreira e cobrou a apresentação de provas de que Orlando Silva recebeu dinheiro na garagem. “Pegaram uma conversa para discutir prestação de contas de uma entidade. Isso é mais do que comum”, disse o comunista. “Eu quero saber porque não apresentaram as provas de que o ministro recebeu dinheiro na garagem”, disse.

O PCdoB comanda o Ministério do Esporte desde janeiro de 2003. Durante a semana, o presidente nacional do partido, Renato Rabelo, defendeu a manutenção de Orlando Silva à frente da pasta, apesar da série de acusações contra ele e integrantes do partido. Dentro do Congresso, avalia-se que a situação do ministro é delicada, mas ele ganhou sobrevida com o apoio da presidenta da República.

O líder do PSDB no Senado, Alvaro Dias (PR), avalia que, independentemente das novas denúncias, “já haviam fatos substanciais” que justificassem a saída de Orlando Silva da pasta. “Não são imprescindíveis fatos novos. O desenho do esquema (no Esporte) é nítido. Está clara a relação da promiscuidade e o favorecimento de entidades com o partido do ministro”, disse. “É por isso que a gente costuma dizer que esse negócio de faxina da Dilma é risível”, afirmou, referindo-se à manutentação do ministro no cargo.

Outras denúncias

Além da reportagem da Veja , a revista IstoÉ publicou o testemunho do auxiliar administrativo Alexandre Vieira da Silva, 35 anos, que afirma ter pago R$ 150 mil do esquema do Esporte para o ex-ministro Agnelo Queiroz. O jornal Folha de S. Paulo também mostrou a existência de um pastor, dono de entidade que recebeu recursos do programa Segundo Tempo, que afirma ter sido achacado por funcionários na pasta do Esporte. Ele, porém, se negou a entregar os nomes as pessoas envolvidas. No jornal Estado de S. Paulo, motorista reafirma reunião entre Agnelo Queiroz e dirigentes de ONGs beneficiadas .

Até o fechamento deste texto, nem os assessores de imprensa do Ministério do Esporte nem do governo do Distrito Federal manifestaram-se oficialmente.

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