Oposição mira Bruno Covas na Assembleia Legislativa de São Paulo

Pré-candidato tucano se torna principal alvo da oposição a Alckmin no caso das denúncias sobre venda de emendas parlamentares

Ricardo Galhardo, iG São Paulo |

O secretário estadual de Meio Ambiente e pré-candidato à prefeitura de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), tornou-se o principal alvo da oposição ao governador Geraldo Alckmin (PSDB) na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). Para os partidos oposicionistas, liderados pelo PT, as declarações do deputado licenciado Bruno Covas sobre suposta tentativa de compra de emenda parlamentar por parte de um prefeito são ainda mais graves e concretas do que as denúncias feitas pelo deputado Roque Barbiere (PTB) .

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Divilgação
Bruno Covas: "Isso (prestar esclarecimentos) vai depender se os deputados estaduais querem que eu diga aquilo que eu já disse"

Em entrevista, concedida ao jornal O Estado de S.Paulo , Covas relatou que, certa vez, um prefeito lhe ofereceu propina após a aprovação de uma emenda parlamentar. Um mês depois, ele voltou atrás e negou que tenha recebido a oferta do prefeito, tendo dado na entrevista um exemplo hipotético.

“O que o deputado licenciado Bruno Covas falou é muito mais grave. Há um fato concreto. É só dizer quem era o prefeito e qual era a entidade, a Santa Casa para a qual o dinheiro foi desviado. É a ponta do iceberg”, disse o deputado Ênio Tatto (PT).

O petista também aproveitou para atacar diretamente Geraldo Alckmin. “O governador Geraldo Alckmin tem que parar de jogar o problema para cima da Assembleia Legislativa de São Paulo”, afirmou. Para Tatto, bastaria o governador perguntar para Covas ou para outro secretário que cuidasse de emendas para esclarecer as denúncias.

Convocação na Alesp

A reunião do Conselho de Ética desta quinta-feira foi suspensa por causa da polêmica em torno do convite ao deputado licenciado Bruno Covas para prestar esclarecimentos. Enquanto os deputados votavam se haveria o convite para o secretário, o deputado Carlos Giannazzi (PSOL) pediu a palavra e anunciou que tocaria o áudio da entrevista na qual Bruno Covas teria dito que um prefeito teria lhe oferecido dinheiro em troca de emenda.

Giannazzi, no entanto, foi atropelado pela base do governo na Casa. O deputado Cauê Macris (PSDB) foi o primeiro a dizer que não cabia o uso de áudio em uma reunião do Conselho. Em seguida, mais exaltado, o deputado Campos Machado (PTB) questionou embasamento regimental. “Não há embasamento ( p ara tocar o áudio ). Onde está isso no regimento? Isso não é um circo”, disse.

Como resposta, o deputado Adriano Diogo (PT) subiu um tom. “Você não vai intimidar ninguém com esse dedo torto”, disse, dirigindo-se a Campos. O presidente do PTB-SP retrucou, aos berros, chamando Diogo de “demagogo” e “mentiroso”.

A pressão da base do governo continuou com o líder do PSDB na Alesp, deputado Orlando Morando, que alegou que o áudio seria uma forma de crucificar o secretário Bruno Covas. Em meio ao tiroteio verbal, o presidente do Conselho, deputado Hélio Nishimoto (PSDB), decidiu suspender a sessão.

Bruno Covas disse hoje que já deu os esclarecimentos necessários a respeito de declaração sobre o suposto esquema de venda de emendas. Ele não descartou, contudo, prestar novos esclarecimentos caso seja chamado pela Assembleia Legislativa de São Paulo. "Isso vai depender se os deputados estaduais querem que eu diga aquilo que eu já disse", afirmou, após participar do 2º Fórum de Cooperação Internacional, promovido na capital paulista.

(Com Agência Estado)

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