Senadores rebatem declarações do presidente, para quem a oposição praticou uma 'política do estômago'

Os senadores de oposição rebateram hoje as declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que os acusou de terem feito “política do estômago” durante seu governo. Para o líder da oposição no Senado, Álvaro Dias (PSDB-PR), Lula contou com adversários “generosos” nos últimos oito anos e não tem do que se queixar. “A oposição que o presidente Lula teve foi a que todo presidente pede a Deus. Foi excessivamente generosa, responsável e construtiva. O que incomoda o presidente, até hoje, foi a única derrota que ele teve: a derrubada da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira)”, alegou o líder.

O presidente da Comissão de Constituição e Justiça, senador Demóstenes Torres (DEM-GO), disse que se não fosse pela “benevolência” da oposição, na época dos escândalos do mensalão, o presidente não teria terminado o mandato. “A oposição foi condescendente com Lula, leniente. O presidente não se ressente da qualidade da oposição e, sim, de existir oposição a ele”, definiu o senador.

Outro parlamentar da oposição, o senador Heráclito Fortes (DEM-PI), se disse preocupado que a futura presidenta, Dilma Rousseff, não tenha uma oposição forte no Senado. Na opinião dele, não é bom que a presidenta eleita tenha maioria folgada nas duas casas do Congresso Nacional. “Acho que isso preocupa. Não sei se isso é tão bom para o País”, disse Fortes.

As reações foram provocadas por declarações do presidente Lula hoje, em seu primeiro pronunciamento ao lado da presidenta eleita, que ocorreu no mesmo dia em que o Congresso retomou os trabalhos, após quatro meses de recesso branco provocado pelo processo eleitoral. Na ocasião, Lula pediu que a oposição a Dilma seja menos “raivosa” do que foi com ele.

O presidente também defendeu que o futuro governo não passe por vinganças e que a relação com os estados governados por partidos fora da base aliada seja “a mais harmoniosa possível”.

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