Comissão de Agricultura da Casa aprovou requerimento para que chefe da Casa Civil esclareça evolução de patrimônio

A Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados aprovou nesta manhã um requerimento de convocação do ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, para que ele explique o aumento do seu patrimônio nos últimos anos. A aprovação ocorre após o governo ter conseguido barrar vários requerimentos semelhantes nas comissões e no plenário da Casa desde que teve início a crise que cerca o ministro. 

A aprovação da convocação de Palocci ocorreu graças a uma manobra da oposição. A votação foi simbólica, mas o governo não conseguiu pedir verificação dos votos nominais. Isso ocorreu porque minutos antes, por uma estratégia da oposição, a comissão já havia realizado uma votação nominal. Pelas normas regimentais da Câmara, há o prazo de uma hora que precisa ser respeitado entre duas votações nominais.

O requerimento aprovado hoje foi apresentado pelo deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS). Se for efetivado, o ministro não poderá se negar a comparecer à Câmara, sob risco de cometer crime de responsabilidade. O requerimento não fixa data para a audiência.

No Senado, entretanto, os esforços da base governista para barrar a convocação de Palocci deram certo. Apesar de prometer colocar em votação hoje o pedido dos líderes do PSDB e do Psol, o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), adiou, pela segunda vez, a votação de requerimentos que pedem a convocação do ministro. O senador alegou o almoço da bancada peemedebista com a presidenta Dilma Rousseff como motivo e prometeu viabilizar a votação na próxima quarta-feira (8).

O líder do PDT (partido que pertence a base governista) na Câmara, deputado Giovanni Queiroz (PA), disse que acha "interessante para o País" que Palocci leve explicações sobre sua evolução patrimonial à Comissão de Agricultura da Câmara. Para ele, inevitavelmente chegaria esse momento.

Manobras e estratégias

Apesar de os governistas seguirem com as pressões para reverter a decisão, a oposição conseguiu dar um passo na estratégia de alimentar o desgaste que atinge o chefe da Casa Civil. O líder do DEM na Casa, deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (BA) já havia avisado que o partido pretendia intensificar a partir de hoje a "ofensiva" contra Palocci.

Como parte dos esforços comandados nas últimas semanas para barrar a convocação, o governo recorreu a manobras como a convocação da sessão em plenário - o que impede o funcionamento das comissões. Levado ao plenário da Casa, os requerimentos acabaram sendo rejeitados.

O Planalto também investiu na negociação direta com os partidos que dão sustentação ao governo Dilma. Dentro desse contexto, o governo suspendeu a distribuição do kit anti-homofobia nas escolas, após sofrer pressões por parte das bancadas religiosas, que ameaçaram apoiar a convocação de Palocci caso o material não fosse tirado de circulação.

*Com informações da Agência Estado e da Agência Câmara

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