Ex-diretor da área internacional da estatal declarou redução de quase 80% no valor de aluguel de uma casa em Ipanema, para uma empresa sediada no Uruguai

Preso pela PF, ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró é acusado de uma série de irregularidades
Vagner Rosario/Futura Press
Preso pela PF, ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró é acusado de uma série de irregularidades

O Ministério Público Federal (MPF) e a Polícia Federal (PF) acreditam que o ex-diretor da Área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró utilizou uma empresa offshore uruguaia como forma de lavar dinheiro e ocultar parte da propina recebida do esquema de corrupção da Petrobras. 

Entenda o que é a Operação Lava Jato

Segundo as investigações, Cerveró mantinha o controle indireto da offshore uruguaia Jolmey Sociedad Anonima, criada em 2008 por um fundo de pensão. Os policiais e procuradores envolvidos na Lava Jato já levantaram provas de que Cerveró era um dos administradores da offshore, embora ele não apareça formalmente entre os sócios.

Essa empresa era proprietária de um apartamento que Cerveró alugava, mesmo ele sendo proprietário de vários imóveis no Rio de Janeiro. O duplex alugado por ele ficava em Ipanema e tinha valor de mercado de R$ 7,5 milhões. Cerveró tinha outros dois imóveis em Ipanema, de sua propriedade.

Além disso, os policiais federais descobriram inconsistências nas declarações de imposto de renda do ex-diretor da Petrobras, em relação ao aluguel pago por esse imóvel à Jolmey Sociedade. Durante 2011, Cerveró revelou que pagou alugueis à offshore em 2011, no valor de R$ 3,8 mil ao mês. O que chamou a atenção dos procuradores é que, passados dois anos, Cerveró reduziu drasticamente os valores. Em 2012, por exemplo, o aluguel pago à offshore chegou a R$ 816 mensais. Isso por um imóvel com valor de mercado de R$ 7,5 milhões.

“Além da incompatibilidade aparente do valor da locação do imóvel, distante alias do declarado às autoridades policiais pelo acusado, sequer há consistência entre os valores consignados nas declarações para os anos de 2010, 2011, 2012, indicando a fraude”, afirmou o juiz Sérgio Moro no mandado de prisão preventiva expedido contra Cerveró.

 “Especialmente as operações envolvendo os imóveis adquiridos ao tempo e depois do crime caracterizam, em tese, novos crimes de lavagem de dinheiro, já que houve ocultação e dissimulação de características de referidos bens, como a transferência a terceiros, a utilização na aquisição e na transferência de preços subfaturados, a utilização de empresa offshore para ocultação de titularidade real e a simulação de contrato de aluguel”, complementa Moro.

 A suspeita dos investigadores é que as transações feitas em nome da Jolmey Sociedad, na verdade, ocorreram apenas para dissimular o recebimento de propina da Petrobras pelo ex-diretor da área internacional da Estatal.

Venda de imóveis sob suspeita

Conforme as investigações da Lava Jato, além da tentativa de dissimular recebimentos ou pagamentos de valores por serviços, Cerveró também teria cometido crime de lavagem de dinheiro ao repassar a venda de quatro apartamentos no ano passado a valores bem inferiores ao de mercado. Pelas investigações, um dos imóveis foi vendido a parentes de Cerveró por R$ 160 mil e outro por R$ 200 mil. Cada apartamento, conforme avalição judicial de 2013, valia alto em torno de R$ 2,3 milhões segundo os autos da Lava Jato. 


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