Novo ministro do Desenvolvimento Agrário toma posse

Cerimônia que empossa Pepe Vargas no lugar de Afonso Florence ocorreu nesta quarta-feira no Palácio do Planalto

iG São Paulo |

O novo ministro do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas (PT-RS), indicado na última sexta-feira para substituir Afonso Florence (PT-BA) no comando da pasta , toma posse nesta quarta-feira, em cerimônia no Palácio do Planalto.

Leia também: Mau desempenho de reforma agrária faz Dilma trocar ministro

Roberto Stuckert Filho
Presidenta Dilma Rousseff durante cerimônia de posse do Ministro do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas, no Palácio do Planalto

A demissão de Florence, que volta para a Câmara dos Deputados, serviu para dar uma resposta às críticas dos movimentos sociais às políticas de reforma agrária no País durante o primeiro ano do governo Dilma. Como o iG publicou em fevereiro, o número de assentados em 2011 foi o menor nos últimos 16 anos.

Em entrevista concedida ao iG após a divulgação de que seria nomeado ministro, Pepe Vargas afirmou que recebeu da presidenta a orientação de acelerar e aprofundar as políticas do ministério . Ele, contudo, evitou comentar os baixos índices de desempenho do ministério no primeiro ano do governo.

“A presidenta falou que o ministério deve ser uma ferramenta para proporcionar inclusão social, produção, e criação de um grande mercado de consumo de massas. Ela quer uma grande classe média rural. Para isso temos que acelerar e aprofundar as políticas em andamento”, disse Pepe Vargas.

Pelos números do Incra, 22.021 foram assentadas no ano passado, primeiro ano da gestão Dilma. Em comparação com 2010, isso representa uma queda de 44% na quantidade de famílias beneficiadas. Os volume de novos projetos também caíram em torno de 40% entre os dois anos. Foram criados 203 assentamentos em 2010 e no ano passado, apenas 117.

Números: Assentados no primeiro ano de Dilma é o menor em 16 anos

Essa situação torna o cenário atual encontrado por Pepe Vargas muito mais tenso do que aquele com o qual se deparou Florence no início do governo da presidenta Dilma Rousseff . Irritados com o que consideram “lentidão” e “falta de compromisso” do governo com a questão agrária, os movimentos de trabalhadores rurais tomaram a decisão de se unificarem na jornada de lutas e prometem um Abril Vermelho muito mais vigoroso.

"Como a pauta agrária no início do governo Dilma não avançou, as desapropriações foram vergonhosas, pior índice dos últimos 16 anos, isso gera uma coisa conflituosa", analisou um dos coordenadores nacionais do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) Alexandre Conceição. “Este ano será um ano atípico na luta no campo que será muito mais forte, sem dúvida”, afirmou.

O Abril Vermelho consiste em uma série de manifestações e ocupações feitas anualmente pelo MST para lembrar o massacre de Eldorado dos Carajás, ocorrido em 17 de abril de 1996 no Pará, e pedir agilidade na reforma agrária. O MST esteve engajado na campanha da presidenta Dilma Rousseff e, em abril do ano passado, de acordo com Conceição, a relação com o novo governo ainda se definia. “Como na campanha ela assumiu o compromisso de dar continuidade ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva , nós entendemos que seria dar continuidade às desapropriações”, destacou.

Na semana passada, as mulheres camponesas comemoraram o Dia Internacional da Mulher com várias atividades que incluíram manifestações em rodovias, ocupações de fazendas e de órgãos públicos em todo país.

As ocupações das agências do Banco do Brasil, realizadas na terça-feira em vários municípios do Paraná, de acordo com o movimento, têm por objetivo demonstrar ao governo que as linhas de créditos destinadas à agricultura familiar não estão sendo suficientes e as condições de juros e pagamento não atendem às necessidades da população do campo.

"As famílias estão endividadas por conta do sistema criado no início do governo e estamos chamando o governo a reeditar essa medida e isso vai criando um caldo de luta social que está muito mais tensa", destacou o coordenador.

Entre as organizações que irão se mobilizar para participar da luta conjunta por melhorias no campo estão a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), a Federação dos Trabalhares da Agricultura Familiar (Fetraf), o MST e a Via Campesina.

Histórico

Filiado ao PT desde 1981, Vargas iniciou a vida política no movimento estudantil, ao coordenar o núcleo de universitários do partido em Caxias do Sul. Atuou também nos sindicatos dos Trabalhadores da Indústria têxtil e dos Metalúrgicos de Caxias do Sul e dos Petroquímicos do Rio Grande do Sul. Atualmente, preside a Frente Parlamentar Mista da Micro e Pequena Empresa no Congresso Nacional e é membro da Comissão de Finanças e Tributação.

Vargas disse que embora não seja um especialista da área, tem conhecimento das questões agrárias devido aos oito anos como prefeito de Caxias do Sul. “Na minha região temos uma agricultura familiar muito forte e como prefeito tive que desenvolver políticas para o setor. Não estava focado nisso agora mas não é algo estranho para mim”, disse ele.

Florence é o décimo segundo ministro a deixar o governo Dilma. Sete foram afastados ou pediram demissão após denúncias de corrupção: Antonio Palocci , da Casa Civil, Alfredo Nascimento , dos Transportes, Wagner Rossi , da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Pedro Novais , do Turismo, Orlando Silva , do Esporte, Carlos Lupi , do Trabalho, e Mario Negromonte , das Cidades.

Também deixaram a equipe ministerial o ex-titular da Defesa Nelson Jobim , que saiu após criticar publicamente o governo, o ex-ministro da Educação Fernando Haddad e a a ex-titular da Secretaria de Políticas para as Mulheres Iriny Lopes , que saíram para disputar as eleições municipais e o ex-ministro da Pesca e Aquicultura Luiz Sérgio , que reassumiu o mandato de deputado federal pelo Rio de Janeiro.

Com Agência Brasil

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