Novas decisões no governo reafirmam estilo de Dilma

Queda de juros e posição sobre controle social da mídia ressaltam independência da presidenta da República

Adriano Ceolin, iG Brasília |

AE
Dilma foi estrela de Congresso de PT ao lado de Lula
Depois de impor suas vontades com os partidos da base aliada no Congresso no primeiro semestre, a presidenta Dilma Rousseff conseguiu - mais recentemente - influenciar na decisão do Banco Central sobre os juros e deixou de abraçar causas do PT como a proposta de controle social da mídia . A cada medida ela reafirma seu estilo de governar.

Mesmo assim, Dilma fez questão de registrar suas afinidades políticas e ideológicas com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva  no encerramento do IV Congresso do PT. Em retribuição, Lula disse que Dilma vai ficar oito anos  e que não pretende se candidatar a um novo mandato em 2014.

“Dilma está forte. Cada vez mais independente de Lula e do PT”, avalia o cientista político David Fleisher, da Universidade de Brasília (UnB).

Isso ficou mais evidente a partir de junho. Começou com a nomeação de Gleisi Hoffmann para o lugar de Antonio Palocci na Casa Civil e, na sequência, com a troca de cadeiras entre Ideli Salvatti (Relações Institucionais) e Luiz Sérgio (Pesca).

Em julho, veio a “faxina” no Ministério dos Transportes, em que o presidente nacional do PR, Alfredo Nascimento, acabou desalojado do cargo junto com mais 20 integrantes de segundo escalão. Apesar ter anunciado ser independente no começo de agosto, o partido não entregou seus cargos no governo e já ensaia um retorno efetivo à base aliada.

Banco Central

Ao contrário do que fez Lula, Dilma deixou correr a versão de que quis compartilhar a decisão de baixar os juros em 0,5 ponto percentual. Foi a primeira vez que ficou nítida a influência da Presidência da República no tema, o que gerou críticas da oposição e alguns analistas.

“A coisa dos juros assustou os analistas econômicos”, diz Fleisher. “Mas os trades ( os negociadores ) já haviam percebido esse movimento (de pressão do governo para a queda). Os custos futuros já haviam caído”, completa o cientista político.

Para Fleisher, a oposição se precipitou ao criticar a queda dos juros e acusar Dilma de interferir no Banco Central. “O PSDB e, principalmente, o DEM pisaram no tomate. Dilma, ao contrário, fez um gol de placa, pois já havia condições para o corte”, completou.

Entre os oposicionistas, houve uma exceção: o ex-governador de São Paulo José Serra, candidato do PSDB à Presidência da República em 2010. Em texto publicado no seu site, ele elogiou a decisão de cortar os juros e apoiou o diálogo de Dilma com o Banco Central.

Governo e PT

O líder do governo, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), nega que a presidenta tenha influenciado na decisão sobre o corte de juros. “Na verdade, ela já havia tomado decisões na economia que possibilitaram a queda. Não houve pressão por parte de Dilma”, diz.

Vaccarezza avalia que Dilma “está consolidada” como liderança política e partidária. “Se ela copiasse o Lula ou qualquer outra liderança, não seria ela mesma”, afirma. “Portanto, Dilma só se consolida mesmo porque tem estilo próprio”, completa.

O líder do governo discorda que Dilma tenha posição diferente do PT sobre as propostas de controle social da mídia. O cientista político Ricardo Caldas, da UnB, pensa diferente: “Dilma quer mostrar independência em relação ao partido. Isso, sim, incomoda o PT”.

PMDB

Principal partido aliado da presidenta, o PMDB teve de se adaptar ao estilo Dilma de governo. Se no começo do ano lideranças peemedebistas pressionavam por mais cargos na Esplanada dos Ministérios, agora já se dão por satisfeitas.

Na terça-feira pela manhã, o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), escreveu no Twitter: “Os espaços do PMDB no governo estão de bom tamanho”. Apesar de tudo, ameaças de rebelião persistem, mas até agora não passaram de ameaças.

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