Em novo depoimento ao Congresso, ministro da Agricultura volta a negar irregularidades e diz desconhecer ação de lobista

O ministro da Agricultura, Wagner Rossi, voltou a dar explicações ao Congresso nesta quarta-feira pelas denúncias de corrupção que atingem a pasta. Rossi, que já esteve na Câmara dos Deputados, afirmou que prepara mudanças "significativas" na Conab, para sanar "lacunas" na estatal envolvida nas denúncias de irregularidades na pasta.

O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento Wagner Rossi
Agência Brasil
O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento Wagner Rossi
"Estamos providenciando mudanças significativas na operação e no controle da companhia, para que ela não seja novamente vítima desse tipo de procedimento", disse o ministro a senadores, durante audiência na Comissão de Agricultura na Casa.

Rossi também cobrou a presunção de inocência dos suspeitos. "Todas as questões levantadas não tinham nenhuma base, começaram com denuncismo", disse. "É preciso que não se inverta o ônus da prova." Ele reiterou ter criado uma comissão de sindicância na pasta para apuração "completa" das denúncias.

Rossi é acusado pelo ex-diretor da Conab Oscar Jucá Neto, irmão do líder do governo Romero Jucá (PMDB-RR) de liderar um esquema de desvios na pasta, armado em conjunto com o PTB.

Segundo Jucá Neto, Rossi liderou operações de favorecimento político envolvendo a Conab e teria lhe feito uma oferta velada de propina , em troca de seu silêncio. As acusações, feitas por ele à revista Veja , se somam a outra reportagem publicada pela revista, segundo a qual o lobista Julio Fróes teria uma espécie de "escritório" dentro do próprio ministério , de onde faria a intermediação de negócios com empresários. O ministro nega as acusações.

Rossi voltou a negar que tivesse conhecimento sobre a atuação do lobista Julio Fróes e afirmou que já determinou a apuração do caso. O ministro voltou a negar participação em qualquer irregularidade na pasta e afirmou que indícios de conduta ilícita serão encaminhados aos órgãos responsáveis.

Recurso

O ministro da Agricultura também se eximiu da responsabilidade de não ter recorrido, em 2009, quando presidia a Conab, de uma decisão judicial em favor da Renascença Armazéns Gerais Ltda. O pagamento de R$ 8 milhões feito este ano à Renascença por Oscar Jucá Neto foi o estopim da crise na Conab. Rossi demitiu Jucá Neto e em nenhum momento ele admitiu que poderia ter freado o processo, que terminou transitado em julgado.

Durante depoimento na Comissão de Agricultura do Senado, o líder do PSDB, senador Alvaro Dias (PR), perguntou ao ministro por que ele não recorreu, quando da publicação da sentença em primeiro grau favorável à Renascença. Wagner Rossi culpou os "escritórios terceirizados" que, segundo ele, eram responsáveis pelas 9 mil ações da Conab. "Evidente que nenhum presidente acompanha nove mil processos, a Conab perdeu prazo em vários processos", justificou.

O ministro disse que não vai processar Oscar Jucá, que criticou sua gestão e denunciou irregularidades na Conab, porque não exerce "o ódio no limite". "Eu o demiti porque ele cometeu uma infração grave, não tenho por que agregar algo à sua pena", afirmou Wagner Rossi. Os governistas presentes se limitaram a elogiar o ministro, sem questionar nenhuma de suas afirmações.

*Com informações da Reuters e da Agência Estado

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