No Senado, Pagot defende Bernardo e diz estar 'em férias'

Em depoimento ao Senado, diretor afastado do Dnit diz que 'refuta' todas as acusações sobre suposto esquema de corrupção

Adriano Ceolin, iG Brasília |

Cumprindo as expectativas, o diretor afastado do Departamento de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Luiz Antônio Pagot, abriu seu depoimento nesta terça-feira com uma fala técnica, voltada principalmente a explicar o funcionamento do órgão. Dizendo 'refutar' as acusações sobre seu envolvimento num suposto esquema de corrupção no Ministério dos Transportes, Pagot negou inclusive que tenha sido demitido do cargo e saiu em defesa do ministro das Comunicações, Paulo Bernardo.

Agência Senado
Pagot manteve tom técnico durante depoimento que deu nesta terça-feira ao Senado
Dias antes do depoimento, Pagot havia indicado que poderia comprometer Bernardo, sob o argumento de que ele tinha controle do que acontecia em obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) quando era ministro do Planejamento. O diretor do Dnit procurou, entretanto, deixar claro que sua atuação envolvia o relacionamento direto com a Esplanada dos Ministérios. Afirmou, por exemplo, que participa de reuniões do comitê gestor do PAC, que conta ainda com a ministra Miriam Belchior (Planejamento), Guido Mantega (Fazenda) e outros.

"Sobre o Paulo Bernardo, não tem uma palavra dita sobre mim sobre o ministro Paulo Bernardo. O off de não sei quem. O bis off de não sei quem. Todos os senhores sabem que estou falando. Dessa invencionice ( de que ele acusaria Bernardo )", disse Pagot. "Tenho o maior respeito pelo ministro Paulo Bernardo e por todos os ministros. E pela ministra Gleisi. São extremante exigentes", completou.

Pagot foi afastado do cargo junto com outros membros da cúpula do setor , assim que a presidenta Dilma Rousseff tomou conhecimento das denúncias que derrubaram o ex-ministro Alfredo Nascimento . Segundo ele, suas férias já estavam previstas antes de uma reportagem da revista Veja revelar o suposto esquema no órgão. Pagot reconheceu que Dilma determinou seu afastamento, mas disse ter havido uma coincidência com as suas férias, de 4 a 21 de julho. "Minha situação, portanto, é de férias", disse.

Na fala, Pagot explicou, em detalhes, como é funcionamento do órgão. No entanto, também fez questão de se defender logo no início: “Quero refutar as acusações e fiz questão de vir ao Senado e à Câmara prestar esclarecimento”, disse o diretor do Dnit, que prometeu ir à Câmara ainda nesta semana. Em seguida, ele ressaltou que as obras e licitações são alvo de órgãos de controle. Por ano, segundo ele, são 20 auditorias internas, 40 investigações da Controladoria Geral da União e 400 processos pelo Tribunal de Contas da União

O depoimento de Pagot chegou a colocar o governo em clima de apreensão, diante da expectativa de que ele pudesse agir como uma espécie de "homem-bomba" . Ontem, no entanto, a presidenta Dilma decidiu efetivar Paulo Passos como novo Ministro dos Transportes , como antecipou o colunista do iG Guilherme Barros , e as expectativas em relação ao depoimento acabaram perdendo força . O senador Blairo Maggi (PR-MT), que chegou a ser cotado para substituir Nascimento mas recusou o convite, saiu em defesa de Pagot. Os dois são aliados no Mato Grosso.

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