No RS, Lula diz que fez apenas o óbvio na Presidência

O presidente comemorou o resultado do índice que mede o desemprego brasileiro, que caiu para 5,7%

AE |

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou nesta quarta-feira (22) a inauguração das obras dos túneis do Morro Alto, na BR-101, em Osório, no Rio Grande do Sul, para se despedir dos gaúchos. Em rápido pronunciamento, Lula disse que a única coisa que fez pelo Brasil foi o óbvio: "A única coisa que fiz neste País foi o óbvio, o que todo mundo deveria ter feito, mas não fez. Aprendi que fazer o óbvio é a coisa mais tranquila porque todo mundo sabe que é preciso fazer, não dá para inventar."

Apesar de afirmar que fez o óbvio em sua gestão, Lula comemorou o resultado do índice que mede o desemprego no País, divulgado na sexta-feira passada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o IBGE, o desemprego brasileiro caiu para 5,7% em novembro, ante 6,1% em outubro, o menor patamar da série histórica iniciada em março de 2002. Segundo Lula, as taxas de desemprego registradas no Brasil são inferiores às registradas em países desenvolvidos, como França, Inglaterra, Alemanha e Estados Unidos. "O que era impensável no Brasil", afirmou.

No discurso, Lula disse que participou dessa inauguração mais "por teimosia" porque nessa época do ano e em final de mandato quem deixa a presidência "está desacelerando o motor, enquanto Dilma (a presidente eleita pelo PT, Dilma Rousseff) está esquentando o motor dela na Granja do Torto". E frisou que recomendou a todos os seus ministros que trabalhem até ao meio-dia do dia 31 deste mês (último dia de seu mandato). "A verdade nua e crua é que está todo mundo torcendo pra gente parar de trabalhar e pensar no Natal e no ano-novo, mas não temos o direto de parar antes de acabar a nossa obra", disse.

Lula afirmou também que o Rio Grande do Sul que o governador eleito, Tarso Genro (PT), assumirá a partir do dia 1º de janeiro é muito diferente do que o administrado pelo também petista Olívio Dutra há 12 anos. "O Rio Grande do Sul vivia em crise, o governo federal vivia em crise pagando a dívida com o FMI (Fundo Monetário Internacional) e nunca sobrava dinheiro para investir aqui (no País)", alfinetou, numa crítica indireta à gestão do ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso.

Na avaliação do presidente, a eleição de Dilma é uma homenagem não apenas às mulheres, "mas ao povo gaúcho, que tem muito a ver com o povo brasileiro". Lula disse que a história do Brasil está muito ligada à combatividade do povo gaúcho: "Sabemos o que representou Getúlio Vargas, João Goulart, Brizola, sabemos da história de luta deste povo; sou agradecido a cada um de vocês, em quem votou e também em quem não votou em mim, porque depois das eleições não fazemos distinção em quem votou a favor ou contra, todo mundo quer o melhor para este País."

Lula deu, ainda, um conselho ao governador eleito: "Oriente os prefeitos do Rio Grande do Sul a elaborarem projetos porque eles choram, pedem dinheiro, mas não têm projetos. (Para) quem tem projeto não vai faltar dinheiro (do governo federal)." E citou algumas das realizações de sua administração: "Se olharem o Brasil vão perceber que 3 das maiores hidrelétricas construídas no mundo estão no Brasil (Santo Antônio, Jirau e Belo Monte); a maior quantidade de ferrovias está sendo construída no Brasil, de refinarias também. E a nossa querida Petrobras é a empresa de petróleo que mais investe em todo o mundo." Ao falar da Petrobras, Lula lembrou que, ao assumir a Presidência, a estatal valia em torno de US$ 15 bilhões e hoje vale quase 20 vezes mais, em torno de US$ 215 bilhões, e brincou: "Deus resolveu passar por aqui e deixar o pré-sal pra gente explorar."

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