Segundo denúncia da Procuradoria Eleitoral, peemedebista teria oferecido cursos de informática gratuitos para se reeleger

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O deputado federal paraense Wladimir Costa (PMDB) é acusado de compra de votos na última eleição pelo Ministério Público Eleitoral (MPE), que encaminhou ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) representação contra ele. Reeleito como o mais votado no Estado, com 236 mil votos, Costa é apontado na denúncia dos procuradores André Sampaio Viana e Bruno Soares Valente como responsável por oferecimento gratuito de cursos de informática em troca de votos.

Caso a Justiça aceite a denúncia, o deputado poderá ser impedido de tomar posse no próximo dia 17 de dezembro ou ter o mandato cassado. Segundo a representação, Costa teria agido com apoio do irmão, Wlaudecir Antônio da Costa Rabelo, e de um funcionário de uma rádio em Itupiranga, no sudeste paraense. Alunos do curso de informática confirmaram ao MPE que propaganda feita por carro de som no município informava que o deputado era o proprietário da rádio Jovem FM, onde o curso era oferecido.

Os dois procuradores informam que o coordenador da rádio e da campanha do candidato, Murilo Santos Ferreira, afirmou que o curso era promovido pela própria sociedade W. A. C. Rabelo e Cia Ltda., permissionária da rádio. O curso, oferecido gratuitamente a estudantes com mais de 15 anos de idade, começou em 12 de setembro, com previsão de término em 12 de dezembro.

Segundo depoimentos de instrutores, 1.180 alunos foram matriculados, sendo 840 na sede do município de Itupiranga e 340 no distrito de Cajazeiras. Costa foi o mais votado em Itupiranga, com 4.896 votos, o que representou 22,85% dos sufrágios válidos no município. Conforme o MPE, os números revelam "o sucesso da empreitada ilícita".

Localizado pela reportagem, o deputado declarou que acabava de saber pelo jornal que estava sendo processado. "Isso é perseguição. Todo o Pará sabe que tenho quatro carretas-escola que percorrem o ano inteiro todo o Estado tirando pessoas das drogas, da marginalidade e oferecendo a elas dignidade e qualificação profissional". Costa disse que não cometeu nenhum crime eleitoral e que vai responder ao processo com "tranquilidade". "É o preço que pago por ser um campeão de votos."

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