No comando do Senado, Marta vira alvo de ironia dos colegas

Ao se revezar com Sarney no comando da sessão sobre o reajuste do mínimo, petista impôs controle rigoroso do tempo de microfone

Andréia Sadi, iG Brasília |

A senadora Marta Suplicy (PT-SP), primeira vice-presidente do Senado, não poupou ninguém de seu cronômetro. Ao se revezar com o titular do cargo, José Sarney (PMDB-AC), na presidência da sessão sobre o reajuste do salário mínimo, Marta controlou com rigor o tempo destinado a cada senador para discursar no plenário. Como forma de interromper os que queriam se alongar, a senadora cortava o som do microfone.

Na sessão de hoje, Marta ocupou a mesa temporariamente no início da tarde, antes de passar a cadeira a Sarney. Mais tarde, entretanto, teve de assumir novamente o comando da Mesa, após o presidente do Senado se ausentar após receber um telefonema. O peemedebista havia sido avisado de que sua mulher Marly Sarney sofreu uma queda e machucou o rosto , com suspeita de ter sofrido uma fratura no nariz.

Um dos alvos do cronômetro de Marta foi o senador Mário Couto (PSDB-PA). O tucano discursava quando a petista anunciou que seu tempo havia se esgotado. O tucano pediu mais tempo. "Se o Paim (senador Paulo Paim) teve o dobro... Eu não quero o dobro, senadora. Eu quero que a senhora me dê os cinco mais quatro". A senadora repondeu: "Vamos lá. Fizemos a negociação. O senhor terá mais quatro minutos. Dois, depois dois". E o tucano agradeceu. "Muito obrigado. Assim, senadora, nós nos entendemos. Eu tenho uma admiração profunda por Vossa Excelência".

Observando a cena no plenário, o líder do partido, Humberto Costa, comentou: “Ih, vai dar confusão! Esse cara é doido!”. O presidente do PT, José Eduardo Dutra, que também acompanhava o discurso de Couto pela televisão, chamou o senador tucano de “histérico” no Twitter .

Em tom de ironia, Couto apelou à “presidenta Marta” para que lhe concedesse mais alguns minutos. “A minha colega Marisa Serrano (PSDB-MS) tinha dez minutos e falou por 17. Quero pelo menos mais quatro!”. Marta relutou, mas fez a concessão.

Em conversa reservada com o iG , um senador do PMDB ironizou a atuação de Marta. "Se o Mão Santa (PSC-PI) tivesse nas mãos de Marta, não discursava 50 minutos", brincou. A declaração é uma alusão aos famigerados longos discursos que o ex-senador fazia enquanto esteve no cargo.

Até a roupa que Marta escolheu para presidir a sessão foi criticada. O figurino da senadora não agradou aos próprios colegas petistas. Um senador da bancada avaliou: “Marta poderia ter vindo com uma roupa mais viva, né? Anteontem estava até de azul!”

A sessão não foi a primeira em que Marta virou assunto pela forma como passou a comandar as sessões. Em sua estreia no comando da Mesa Diretora, no início do mês, o alvo do cronômetro foi seu ex-marido, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) , também famoso pelos pronunciamentos longos.

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