Negociação com Kassab eleva pressão sobre cúpula do PSB

Após manifestarem internamente insatisfação com as conversas, líderes do partido em São Paulo reclamam do silêncio de dirigentes

Nara Alves e Clarissa Oliveira, iG São Paulo |

Incomodados pela aproximação com o prefeito Gilberto Kassab (DEM), líderes do PSB em São Paulo intensificaram nos últimos dias as pressões sobre o comando nacional do partido. Além de não economizarem nas críticas ao democrata nos bastidores, alguns socialistas passaram a se queixar também de não terem obtido até agora uma explicação sobre as negociações. 

Nos bastidores, a conta vem sendo jogada no colo do presidente nacional do PSB, Eduardo Campos. Passaram a circular comentários atribuindo ao dirigente, que é também governador de Pernambuco, uma postura "centralizadora". Até agora, dizem os críticos da negociação, nem mesmo integrantes da cupula nacional teriam sido consultados.

AE
Nomes como Erundina têm deixado claro que poderão deixar o partido caso união com Kassab se concretize
Embora o destino político de Kassab seja incerto, uma das alternativas seria a criação de um novo partido que, futuramente, se fundiria ao PSB. Isso porque uma das exceções previstas na regra da fidelidade partidária é a criação de uma nova legenda. A manobra ajudaria também a atrair outros interessados em trocar de partido sem que exista uma ameaça à manutenção de seus mandatos.

Desde que a proposta veio à tona, nomes como a ex-prefeita de São Paulo Luiza Erundina e o deputado Gabriel Chalita passaram a deixar claro que estariam dispostos a deixar o PSB se a união com Kassab se concretizar. Ambos aderiram à sigla após entrarem em conflito com seus antigos partidos - o PT, no caso da ex-prefeita, e o PSDB, no caso do deputado.

Chalita, por exemplo - que foi o segundo deputado mais votado no Estado atrás de Tiririca (PR) - chegou a conversar com o vice-presidente Michel Temer , sobre uma eventual mudança de legenda. Outra sigla interessada seria o PTB. Erundina, por sua vez, estaria incomodada com a possibilidade de dividir o palanque com nomes como a senadora Kátia Abreu (DEM-TO) e o governador catarinense Raimundo Colombo, apontados como possíveis seguidores de Kassab para fora do DEM.

A origem política dos dois partidos tem ajudado a alimentar o discurso dos críticos à aliança com Kassab. O PSB nasceu com discurso de alinhamento à esquerda, em 1947. Na década de 90, o então governador de Pernambuco, Miguel Arraes, firmou-se como principal líder da legenda. Eduardo Campos é neto de Arraes e seu herdeiro político. Já o DEM, antigo PFL, foi fundado em 1985 e remonta à antiga Arena, ligada ao regime militar.

A insatisfação com Kassab, entretanto, iria além da questão ideológica. Um dos motivos seria a redistribuição de poder no Diretório Estadual do PSB no Estado, hoje presidido por Márcio França, atual secretário de Turismo do governo do tucano Geraldo Alckmin . Na avaliação de setores do PSB, a ida de Kassab para o partido obrigaria automaticamente França a ceder espaço e ratear cargos na instância, de forma acomodar os interesses do grupo político do prefeito paulistano.

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