Argumentação da promotoria no caso Celso Daniel se baseia na tese de que o ex-prefeito foi assassinado para encobrir corrupção

Apesar de basear toda sua argumentação na tese de que Celso Daniel tenha sido assassinado para encobrir um suposto esquema de corrupção na prefeitura da cidade, o promotor Francisco Cembranelli afirmou nesta quinta-feira que a acusação não tem interesse em prejudicar o Partido dos Trabalhadores (PT), legenda à qual o ex-prefeito de Santo André era filiado.

Durante a exposição que fez hoje do caso aos jurados que participam do julgamento do primeiro acusado pela morte do ex-prefeito, Cembranelli disse que o PT não é réu no processo e acusou alguns jornalistas de quererem vincular o caso à legenda, por interesses políticos.

“Não estou preocupado em colocar o Partido dos Trabalhadores no banco dos réus. Ele foi citado porque a vítima era filiada ao partido e Celso Daniel tinha sido confirmado como coordenador da primeira campanha que elegeu o presidente Lula. O PT foi citado porque as pessoas que participaram do esquema de arrecadação eram ligados ao partido, não porque eu tenha algum interesse nisso tudo”, argumentou o promotor.

A argumentação do promotor contra o réu Marcos Roberto Bispo dos Santos, apontado como um dos participantes da ação que matou Celso Daniel, durou cerca de uma hora e quarenta minutos e Cembranelli justificou a menção ao PT como “contexto da causa”, já que Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, acusado por ele como o mandante do crime, era também o mentor de um esquema de corrupção “criado para extorquir empresários e engordar o caixa das campanha do PT”.

“São as pessoas que eram extorquidas por Sérgio 'Sombra' que apontaram ele como líder dessa quadrilha de desvio de recursos. Consta no processo que o esquema tinha anuência inicial de Celso Daniel, porque o PT apostava toda as suas fichas na eleição de 2002. Na primeira gestão de Celso Daniel, Sérgio Gomes da Silva era apenas um segurança da prefeitura. Ele enriqueceu e passou a extorquir empresários e a direção do Partido dos Trabalhadores, fazendo um grande esquema de arrecadação ilegal com empresas que tinham contrato com a prefeitura”, afirmou Cembranelli.

Julgamento

Apesar de marcado inicialmente para as 9h3, o julgamento de Marcos Bispo dos Santos começou por volta das 10h sem a presença do réu. O júri acontece em Itapecerica da Serra (Região Metropolitana de São Paulo) é comandado pelo juiz Antonio Augusto Galvão de França Hristov, da 1ª Vara Criminal da cidade.

Bispo é o o primeiro dos sete acusados pela morte de Celso Daniel a ir a julgamento. Com 37 anos, o acusado é apontado pelo MP como a pessoa que mandou roubar a Blazer que participou do sequestro do ex-prefeito, além de dirigir o veículo na noite do sequestro e ajudar na captura e fuzilamento de Celso Daniel.

Apesar da repercussão do crime, nem a Promotoria nem os advogados de defesa apresentaram testemunhas durante a primeira parte do julgamento. Na argumentação do MP, o crime contra Celso Daniel foi encomendado pelo "amigo entre aspas" do ex-prefeito, Sérgio Sombra, para “encobrir os crimes de desvio de dinheiro na prefeitura”.

Participam do júri cinco mulheres e dois homens. Após a argumentação do promotor, o juiz deu um intervalo de dez minutos para que a defesa de Bispo pudesse iniciar sua exposição e defesa do acusado. Para o MP, Bispo deve ser enquadrado no crime de homicídio triplamente qualificado. Caso seja condenado, pode pegar de 12 a 30 anos de prisão.

Antes do início da sessão, o advogado de defesa de Bispo, Adriano Marreiro, afirmou que vai pedir a nulidade do julgamento caso o réu seja condenado porque ele não foi notificado pela Justiça do julgamento.

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