'Não se pode fazer governo com vassoura na mão', diz Temer

"As decisões foram tomadas e o governo segue adiante", afirmou o vice-presidente em Nova York

Carolina Ciementi, de Nova York |

O vice-presidente da República, Michel Temer, rebateu hoje as críticas de que a presidenta Dilma Rousseff teria feito uma faxina incompleta nos setores do governo envolvidos em denúncias de corrupção, irregularidades e mau uso do dinheiro público.

AE
Para Temer, PT e PMDB estarão
unidos no 2º turno em 2012
"Você não pode fazer um governo com a vassoura na mão. As decisões foram tomadas e o governo segue adiante", disse Temer a jornalistas, após discursar durante um almoço promovido pelo Conselho das Américas e Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos, em Nova York, depois de participar de um almoço com empresários brasileiros e americanos no Council of the Americas.

Temer afirmou que mudança em ministérios "é algo mais do que natural". "Mas a administração não reduziu a atividade por causa dessas mudanças". Segundo o vice-presidente, não existe risco de uma crise institucional no País devido às denúncias envolvendo os ministérios. "Não há fatores que possam abalar a Presidência da República."

Eleições 2012

O vice-presidente disse ainda que a relação do governo com o PMDB vai muito bem e afirmou estar confiante em relação ao desempenho do PMDB nas eleições municipais de 2012 justamente por causa do sucesso do apoio do PMDB ao governo. “O PMDB está integradíssimo com o governo, apoiando o governo, não tem havido dissenções”, afirmou.

O vice-presidente explicou que poderão haver divergências, principalmente no primeiro turno. “Nós temos conversando com os companheiros do PT e de outros partidos, e as eleições municipais levam em conta realidades locais, então é muito provável que em vários municípios, capitais ou não, haja uma divergência no primeiro turno de PT e PMDB, agora é provável que no segundo turno um partido acabe apoiando o outro”, disse Temer.

Bill Clinton

Temer também elogiou a ideia sugerida pelo ex-presidente americano Bill Clinton para que o Brasil passe a produzir parte do seu etanol nos países do caribe, principalmente no Haiti. “Acho que vindo do presidente Clinton é uma boa ideia, especialmente porque retira o ônus tributário”, afirmou Temer.

O vice-presidente lembrou que o Brasil é obrigado a pagar um índice “elevadíssimo” de impostos para exportar etanol para os Estados Unidos, enquanto alguns países do Caribe têm acordos comerciais mais favoráveis. “Mas esta é uma questão da área internacional, eu não sei como esta sugestão será recebida, para mim ela até soa bem”, acrescentou Temer.

Clinton fez essa sugestão durante o seu discurso de encerramento da terceira edição do Fórum de Desenvolvimento Sustentável. A intenção da proposta seria proteger a floresta amazônica, afinal, como o ex-presidente americano colocou, quanto mais cana de açúcar o Brasil produz para o etanol em terras fora da Amazônia, mais a produção de gado e de soja é empurrada para dentro da floresta.

Dólar

“Eu acho que o Real hoje é uma moeda forte – primeira obviedade, né, que eu estou dizendo. A segunda é que um leve aumento do dólar facilita aos exportadores, aí é preciso encontrar um equilíbrio, e eu não sei tecnicamente se 1,80 é o ponto de equilíbrio ou não, o que eu tenho ouvido dizer é que poderia ser um ponto de equilíbrio, mas eu não posso garantir”.

(Com Agência Estado)

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