Não há obstáculo para apoiar Chalita em SP, diz DEM

Presidente municipal do partido fala em candidatura própria, mas não descarta endosso ao PMDB

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Principal afetado pela criação do PSD, o DEM inicia agora um processo de renovação de suas diretrizes e bandeiras e já prepara uma ofensiva para recuperar os espaços perdidos com o avanço da sigla fundada pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. Em São Paulo, o DEM tem dialogado tanto com o PSDB como com o PMDB para a formação de uma aliança com chances de vitória.

Em entrevista exclusiva à Agência Estado, o presidente municipal do DEM em São Paulo, Alexandre de Moraes, reconhece a importância de renovação da sigla e defende uma candidatura própria para a eleição de 2012. E não descarta a possibilidade de o partido apoiar um nome do PMDB.

Agência Estado - Qual é a principal missão do senhor à frente do DEM em São Paulo?

Alexandre de Moraes - Foi pedido a mim, no começo do ano, pelo senador Agripino Maia (RN) (presidente nacional da legenda), que eu pudesse ajudar na reorganização do DEM e dar uma cara nova à sigla. O DEM tem duas eleições importantíssimas: 2012 e 2014. Apesar dessa alteração que houve, o DEM continua sendo o 4º maior tempo de TV e continua tendo o 4º maior voto de legenda em São Paulo.

AE - O projeto nacional do DEM, então, é lançar uma candidatura própria em 2014?

Moraes - O projeto nacional do DEM, em 2012, é lançar candidaturas próprias, onde der, nas principais capitais e cidades. E dependendo do resultado deste pleito, nós poderemos construir uma candidatura para 2014.

A E - O DEM pretende lançar candidatura própria em 2012 em São Paulo?

Moraes - O DEM tem candidato próprio que é o deputado federal e secretário estadual Rodrigo Garcia, que foi muito bem votado na capital paulista. Para fazer a comparação de candidatos, ele teve quase o mesmo número de votos que o Bruno Covas teve na capital paulista.

AE - Se o ex-governador José Serra for candidato, o DEM abre mão da candidatura própria?

Moraes - Isso teria de ser discutido com a Executiva Nacional do DEM, mas há uma tendência natural, conversada desde o início, de que se o ex-governador José Serra for candidato, terá o apoio do DEM. Eu diria que é natural que nós o apoiássemos como já o apoiamos anteriormente.

AE - O PMDB está no radar de alianças do DEM? Em que pé estão as conversas com o PMDB?

Moraes - Nós estamos tendo conversas tanto com o PSDB como com o PMDB. O PMDB nos procurou, vem conversando conosco em virtude da pré-candidatura do Gabriel Chalita, que é um candidato bom, um candidato novo e que conhece a cidade de São Paulo.

AE - O DEM apoiaria o nome do deputado federal Gabriel Chalita para a Prefeitura de São Paulo?

Moraes - Nós estamos conversando. Eu diria o seguinte: não há nenhum óbice intransponível para apoiar a candidatura do deputado federal Gabriel Chalita. Assim como não há nenhum óbice em apoiar um dos candidatos do PSDB. Hoje nós temos candidatura própria, mas estamos conversando com o PSDB e o PMDB.

AE - O senhor considera o senador Aécio Neves (PSDB-MG) um bom nome para a disputa presidencial de 2014?

Moraes - Eu vejo três bons nomes no PSDB, sem demérito a nenhum outro nome: o do senador Aécio Neves, o do ex-governador José Serra e o do governador Geraldo Alckmin. Não acredito, hoje, que o governador Geraldo Alckmin seja candidato, porque acho que o natural é que ele tente a reeleição ao Palácio dos Bandeirantes. Agora, eu acho que se São Paulo e Minas Gerais estiverem unidos, nós não vamos perder a eleição.

AE - Em 2014, a tendência hoje do DEM é apoiar a reeleição do governador Geraldo Alckmin?

Moraes - A tendência é apoiar a sua reeleição, independentemente de marcharmos ou não juntos em 2012. São coisas diferentes. Nós podemos ir juntos com o PSDB em 2012 ou não. Mas independentemente disso, em 2014, a tendência é apoiar a sua reeleição.

AE - Como ex-secretário municipal, quais são os principais gargalos que impedem o crescimento da cidade de São Paulo?

Moraes - A cidade de São Paulo tem um grande problema na área de saúde. E, em segundo, vem a educação. A educação progressivamente, no País todo, vem melhorando, mas ainda está aquém do que deveria. E um problema da cidade, como um todo, é o trânsito e o transporte. O grande desafio para a próxima administração é ter coragem de fazer uma licitação de ônibus que favoreça a cidade, não as empresas de ônibus.

AE - Como o senhor avalia a segunda gestão do prefeito Gilberto Kassab?

Moraes - Eu não vou avaliar, por uma questão ética, porque eu participei do final da primeira gestão e de quase metade da segunda gestão. Eu deixo a população avaliar.

AE - Como senhor avalia a criação do PSD, sigla que levou o DEM a perder lideranças relevantes?

Moraes - O PSD foi uma criação do prefeito de São Paulo, que conseguiu formá-lo, apesar de uma série de irregularidades durante o procedimento. É uma novidade no cenário nacional, mas é uma novidade que vai perder esse invólucro de novidade em 2012. E 2012 é crucial para o PSD. O PSD não se aliando ao PSDB em São Paulo, a situação do partido não vai ser muito confortável, até porque o PSD não tem tempo de televisão para a bancada em 2014. Não há, diferente do que se fala, uma candidatura forte do PSD. Não há candidatura forte e não há tempo de televisão.

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