O governador de Goiás evitou comentar relação de seu aliado político Demóstenes Torres (DEM) com o empresário de jogos de azar

Marconi Perillo
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O governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), vive dias turbulentos após a Polícia Federal (PF) revelar que sua ex-chefe de gabinete, Eliane Pinheiro, e o ex-presidente do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), Edivaldo Cardoso, supostamente tinham relações com o empresário de jogos de azar, Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Ele admite que já conversou com Cachoeira. Mas afirma que foi apenas uma vez e para tratar de incentivos fiscais.

Nos bastidores, o tucano diz que não deve mais explicações porque não foram encontrados elos entre ele e o empresário de jogos de azar. Nesta semana, o iG esteve em Goiânia e tentou conversar pessoalmente com o governador. Ele preferiu responder a alguns questionamentos por e-mail. Alegou falta de espaço na agenda.

Nesta entrevista, ele evitou falar da situação política do colega Demóstenes Torres (sem partido), negou qualquer tentativa de lobby de Cachoeira para a legalização de jogos em Goiás (em 2000, durante seu primeiro mandato, houve uma tentativa de implementar uma loteria instantânea no Estado) e quando questionado sobre eventuais danos políticos em Goiás após o caso “Carlinhos Cachoeira”, Perillo disparou: “vamos virar essa página”.

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iG - A cada análise do relatório da Polícia Federal sobre as investigações envolvendo Carlinhos Cachoeira, surgem informações de como ele conseguiu entrar na estrutura estatal de Goiás até com uma certa facilidade. Isso assusta? O governo do Estado não tinha conhecimento da relação de proximidade de Cachoeira com o Estado?

Marconi Perillo - O que se aponta até agora são ações pontuais de influência não só no Estado como em estruturas federais. Não há envolvimento do aparato estatal em Goiás com o crime ou contravenção. Isso eu não permito nem permitirei.

iG - O senhor afirmou que já conversou com Cachoeira. Sabe-se que ele normalmente frequentava as rodas de políticos para obter informações privilegiadas. Nessa conversa que o senhor teve, em nenhum momento ele tentou entrar nesses assuntos?

Perillo - O empresário Carlos Ramos me procurou para tratar de incentivos fiscais.

iG - Cachoeira tentava fazer lobby para a legalização do jogo em Goiás. Esse tipo de lobby chegou ao seu gabinete? E que tipo de providência o senhor tomou?

Perillo - Nunca tratei desse assunto com quem quer que seja. Não jogo, detesto jogo e desestimulo quem goste. É claro que não me refiro a competições esportivas.

iG - Politicamente, o episódio Cachoeira pode trazer alguns danos políticos em determinadas legendas, como o DEM e o PSDB. O senhor teme ser atingido politicamente por conta disso? Outra, o senhor acredita que o Estado vive uma certa instabilidade política após as revelações fruto da Operação Monte Carlo, segundo as quais políticos, agentes públicos e policiais goianos tinham ligações com o bicheiro?

Perillo - Goiás é maior do que tudo isso. Vamos virar essa página e continuar a escrever nossa história de crescimento e prosperidade. Goiás é um dos Estados mais fortes, economicamente, do Brasil. Somos 0 9º no PIB e vamos chegar rapidamente ao 5º lugar. Nosso PIB cresce quase duas vezes mais do que a média nacional. Somos o 7º em competitividade, multiplicamos nosso volume exportador. Somos referência nas artes, no ecoturismo, medicina, engenharia, serviços, informática, participação em redes virtuais, esportes, infraestrutura, recursos hídricos, etc.

iG - Sobre o Demóstenes Torres? A população de Goiânia ficou espantada pela ligação dele com Cachoeira. O senhor partilha da mesma opinião? Também teve sentimento semelhante aos goianos?

Perillo - Não quero fazer nenhum juízo de valor sobre o senador.

iG - Algumas empresas ligadas ao grupo de Cachoeira tem contratos com o governo de Goiás, como a Delta construções. O governo do Estado pretende tomar alguma medida com relação a esses contratos?

Perillo - São dois contratos. Um, de locação de veículos, firmado pelo governo passado e que está expirando. No ano passado, a empresa foi multada em R$ 500 mil por não cumprir determinadas exigências contratuais. Outros dois são para reconstrução de estradas, vencido numa concorrência nacional, que teve um deságio de quase 25% em média e quase R$ 170 milhões de economia para o Tesouro estadual. Não há ilegalidade alguma.

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