Não faremos oposição administrativa a Dilma, diz Anastasia

Em entrevista ao iG, governador de Minas afirma que todos os governadores do PSDB querem um bom relacionamento com Brasília

Adriano Ceolin, iG Brasília |

AE
Anastasia e Dilma conversam durante visita da presidenta a Minas: governador tem se tornado um dos principais interlocutores da oposição com o governo
Anfitrião do encontro de governadores do PSDB marcado para este sábado, em Belo Horizonte, o governador tucano Antonio Anastasia afirma que o grupo terá “papel de absoluta parceria” com a presidenta Dilma Rousseff e o governo federal. Nesta sexta, ele concedeu entrevista ao iG por telefone

“Já ficou definido que não existe oposição administrativa. Os governadores terão o papel de absoluta parceria com o governo federal, pois isso é necessário”, disse. Especificamente sobre Minas, Anastaria afirmou: “Estamos muito otimistas. Acreditamos que essas obras do governo federal vão ser realizadas”.

Questionado sobre a sucessão no PSDB, o governador mineiro elogiou o atual presidente Sérgio Guerra (deputado federal por Pernambuco). Ainda na entrevista, defendeu o nome de Aécio Neves para a presidência da República em 2014. Sobre a eleição municipal, ele citou o atual prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB), como um parceiro.

“Ele faz uma excelente administração, muito bem reconhecida. É um parceiro efetivo do governo do Estado e vice-versa em muitas obras e programas de Belo Horizonte”, disse Anastasia. “Agora (a reeleição) vai depender do quadro partidário. Ele foi eleito em circunstâncias específicas de 2008”, completou o governador.

Leia os principais trechos:

iG - Como foram esses primeiros meses de governo?
Antonio Anastasia
– Governo é sempre muito difícil, mas estamos dando continuidade a um bom governo que o atual senador Aécio Neves realizou. Nós estamos com boas perspectivas econômicas e de desenvolvimento. Mas problemas não faltam. Nós queremos é fazer um trabalho de planejamento a longo prazo. Lamentavelmente, nós todos somos açodados, queremos resultados para ontem. Isso não tem como funcionar. Por isso é importante fazer planejamento.

iG – O que está lhe preocupando mais? É uma possível falta de crescimento do País?
Anastasia –
Vou dar a resposta no enfoque de Minas. Aqui nós temos um problema antigo, que é a necessidade de agregar valor aos produtos mineiros. Somos um Estado rico em commodities, setor mineral, agrário, mas precisamos ter mais exportação de produtos elaborados. Se a balança comercial foi positiva no ano passado, isso se deve fundamentalmente a Minas Gerais. Praticamente todo valor foi resultado da balança de exportação. Mas Minas não quer exportar tão somente o minério bruto, café em grãos ou leite in natura. A estratégia traçada ainda no governo Aécio foi primeiro gerar a infraestrutura econômica e social necessária para isso. Então, tínhamos de levar estradas, telefonia, energia elétrica, saneamento, educação e saúde. Melhorar essas políticas públicas para dar uma atratividade para começarmos a mudar um pouco a economia do Estado.

iG - Para mudar a economia do Estado, existem condições financeiras próprias ou é preciso a ajuda do governo federal?
Anastasia –
São duas coisas. A infraestrutura que é responsabilidade do Estado nós conseguimos avançar bastante. Tanto em rodovias como telecomunicações, saneamento. Agora temos no Estado grandes eixos que são de competência do governo federal. As principais estradas, a BR 381, por exemplo. A questão do metrô em Belo Horizonte. O aeroporto internacional.

iG – Pelos contatos que o senhor já teve com a presidenta Dilma Rousseff, o senhor sentiu que é possível isso se concretizar?
Anastasia –
Estamos muito otimistas. Acreditamos que essas obras do governo federal vão ser realizadas. Primeiro porque ela assumiu esse compromisso durante a campanha. Ela disse que tem essa disposição.

iG – Ela disse ao senhor que tem prioridade?
Anastasia –
Da boca dela não. Nós é que apresentamos como primeira prioridade a duplicação da BR 381, que vai de Belo Horizonte a Governador Valadares. Essa obra tem um caráter humanitário. É uma rodovia onde estão ocorrendo muitos acidentes, com muitas mortes. Além disso, tem um perfil econômico muito importante porque é o caminho para o vale do aço.

iG – E a questão do aeroporto?
Anastasia –
Sim, estamos muito preocupados. Como disse o próprio Ricardo Teixeira (presidente da CBF), a prioridade da Copa do Mundo são três: aeroporto, aeroporto e aeroporto. É a frase dele. O nosso aeroporto internacional (em Confins) tem alguma vantagem em relação a outros do País. Está num local que permite expansão. No tempo do governador Aécio, nós fizemos a nossa parte ao construir a rodovia “linha verde”, que liga o município de Confins à capital Belo Horizonte. Depois contratamos a empresa, a melhor do mundo no que se refere a aeroportos, que é uma empresa internacional sediada em Cingapura. Ela nos produziu um "masterplan" que foi entregue à Infraero para ver o que é preciso fazer em termos de expansão do aeroporto, terminal dois, a pista. Então, a Infraero aceitou esse documento e já está em licitação a primeira etapa. Não é suficiente. Nós queremos que isso continue aumentando.

iG – Como intermediar esses interesses com o governo federal sendo um governador de oposição?
Anastasia –
Em primeiro lugar, tanto os governadores, os prefeitos e a presidenta fomos eleitos por todos para governador bem. E não há como governar no Brasil, que é uma federação, sem termos parcerias. Parcerias entre os governos e também com o setor privado e a sociedade civil. É impossível no modelo brasileiro se governar sozinho. Até porque a Constituição assim determina. Serve como exemplo o Sistema Único de Saúde. A presidenta Dilma esteve aqui na segunda-feira lançando o "Rede Cegonha" aqui em Belo Horizonte. Ou seja, não há como o SUS funcionar se não houver uma colaboração estreita entre os três níveis de poder. Então, essas parcerias são importantes independentemente se o governador é de oposição ou governista. É claro que oposição, do ponto de vista parlamentar, é feita no Congresso.

iG – A reunião de governadores do PSDB em Belo Horizonte vai se importante para dar que rumo para a oposição? Que propostas o senhor vai defender neste encontro?
Anastasia –
Primeiro eu gostaria de lembrar que na outra reunião que tivemos, em Maceió (Alagoas), já ficou definido que não existe oposição administrativa. Os governadores terão o papel de absoluta parceria com o governo federal, pois isso é necessário. Aliás, no passado, os governadores de outros partidos de oposição também tiveram esse comportamento. Tanto no tempo que o PSDB era governo federal (1995-2002) tanto no tempo recente, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2011).

iG – Qual ser á o foco da reunião?
Anastasia
– O presidente Sérgio Guerra é que vai conduzir. Nós vamos focar nos temas administrativos comuns. Vai haver uma apresentação sobre segurança pública, a cargo do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. E eu vou falar sobre educação. E evidentemente outros temas serão trazidos. Mas o objetivo fundamental é para termos projetos em comum.

iG – Minas precisa ganhar mais voz dentro do PSDB?
Anastasia –
Mas olha o PSDB de hoje. O presidente é de Pernambuco (Sérgio Guerra). O secretário-geral é de Minas (Rodrigo de Castro). O líder da Câmara é de São Paulo (Duarte Nogueira). O líder da minoria na Câmara (Paulo Abi-Ackel) é de Minas.

iG – Mas quando é a sucessão no PSDB?
Anastasia –
É para maio. É quando será definido.

iG – O senhor acha que é melhor preservar a atual composição?
Anastasia –
A tendência de todo partido é ter uma composição desta. É preciso que, no diretório nacional e na Executiva Nacional, se reflitam as forças políticas do partido como um todo.

iG – O senhor avalia como bem-sucedida a gestão do presidente Sérgio Guerra?
Anastasia –
Sim, avalio como bem-sucedida. Ele é o candidato posto, por ora. É único candidato.

iG – E qual deveria ser o papel do ex-governador de São Paulo José Serra?

Anastasia – Em primeiro lugar, ele é um grande quadro do partido. É um dos maiores. Foi governador, prefeito e candidato a presidente duas vezes. É uma pessoa que tem todo nosso respeito e carinho. Agora é claro que é um dos nomes que nós temos no partido. E nós temos em Minas uma grande liderança que se destaca no Brasil que é o senador Aécio Neves. Temos os outros governadores, como Beto Richa, do Paraná, e até ex-governadores como Tasso Jereissati (Ceará). Felizmente o PSDB não tem deficiência de bons nomes.

iG – Mas é natural que Aécio seja o candidato a presidente em 2014?
Anastasia –
O que é natural é o dia vir depois da noite. Agora há um sentimento em Minas Gerais, que não é de hoje, é de que nós os mineiros gostaríamos de ver o senador Aécio presidente da República. Pelo grande governo que fez aqui, por suas condições e qualidades pessoais. Agora, como ele (Aécio) próprio diz, a candidatura é uma questão do destino. Até 2014, muita água passará por esta ponte.

iG – Mas será fundamental 2012. I senhor vai apoiar a reeleição do atual prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB)?
Anastasia – O prefeito Márcio Lacerda foi eleito em 2008 com o nosso apoio, do PSDB. Faz uma excelente administração, muito bem reconhecida. É um parceiro efetivo do governo do Estado e vice-versa em muitas obras e programas de Belo Horizonte. Agora vai depender do quadro partidário. Ele foi eleito em circunstâncias específicas de 2008. Nessa mesma época, em 2007, ninguém imaginava que Márcio Lacerda seria sequer candidato a prefeito. Ele era secretário de Estado e não tinha nenhuma pretensão em se candidatar. Então vamos aguardar. Mas é claro que ele faz uma excelente administração.

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