Na estreia como presidenta, Dilma prega cooperação internacional

Presidenta tem a tarefa de preencher espaço deixado pelo ex-presidente Lula na cena diplomática internacional

iG São Paulo |

Em sua estreia no cargo de presidenta, Dilma Rousseff saiu em defesa da cooperação internacional e do incentivo ao comércio exterior brasileiro. Os dois assuntos pautaram a série de reuniões com chefes de Estado estrangeiros que participaram ontem da cerimônia de posse em Brasília e hoje conseguiram um espaço na agenda da nova presidenta. A presidenta tem agora como um de seus desafios fazer jus à fama conquistada no exterior pelo antecessor Luiz Inácio Lula da Silva .

No encontro com o príncipe das Astúrias, Felipe de Bourbon, herdeiro da coroa espanhola, Dilma discutiu as relações comerciais entre os dois países. A conversa, que abriu a agenda da presidenta, durou cerca de 40 minutos, ultrapassando o tempo previsto inicialmente, de apenas meia hora. Foi feita uma análise das condições da instalação de empresas espanholas no Brasil, em especial nos setores energético, tecnológico e financeiro.

Agência Estado
Dilma no encontro com o príncipe das Astúrias, ao abrir a série de reuniões bilaterais em Brasília
Ambos concordaram que seria "bom para os dois países" um aumento dos investimentos espanhóis no País, aproveitando inclusive as perspectivas de realização da Copa do Mundo no Brasil em 2014, assim como os Jogos Olímpicos de 2016 no Rio. A conversa englobou ainda a possibilidade de um aumento da cooperação na área de defesa. O príncipe colocou-se ainda à disposição para ajudar Dilma a cumprir a promessa de erradicar a pobreza no Brasil. O herdeiro da Coroa entregou a Dilma uma carta do rei Juan Carlos e fez o convite do governo espanhol para que visite o país antes da Cúpula Ibero-Americana, que será realizada em Cádis, em 2012.

Na reunião com o primeiro-ministro de Portugal, José Sócrates, foi firmado um compromisso de melhorar a relação comercial entre os dois países. Sócrates afirmou ter dito a Dilma que o Brasil "pode contar, como sempre contou, com Portugal como um aliado fiel". O comércio bilateral foi o principal tema do encontro.   "Portugal é uma porta de entrada na Europa para os produtos brasileiros e continuará sendo", declarou Sócrates, quem ressaltou a "crescente relação" que existe entre as empresas dos setores público e privado de ambos os países.

Além disso, disse que acredita que a "sociedade estratégica" entre Brasil e a União Europeia (UE) "será aprofundada" durante a gestão de Dilma e descartou que ela possa ser afetada pela decisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de não extraditar à Itália o ex-ativista de esquerda Cesare Battisti. "Nada afetará uma relação tão sólida como a que existe entre Brasil e a UE", afirmou.

A posse de Dilma foi marcada por algumas ausências, como a da presidenta Argentina Cristina Kirchner. O chanceler argentino Héctor Timerman disse acreditar que seu país pode ser o primeiro destino da nova presidenta brasileira escolha o país vizinho para sua primeira viagem oficial ao exterior. "Falarei com ( o chanceler brasileiro Antonio ) Patriota, mas é uma possibilidade" a viagem da presidenta brasileira a Buenos Aires, disse Timerman em Brasília, segundo despacho da agência estatal argentina Télam. Patriota tinha previsto receber na tarde deste domingo o colega argentino em sua primeira reunião bilateral após assumir o posto de chanceler.

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Dilma e Taro Aso, do Japão, na série de encontros bilaterais realizados neste domingo
Timerman disse ter transmitido a Dilma uma mensagem de apoio da parte de Cristina. "Saudei Dilma e ela certamente entendeu as razões pelas quais Cristina não veio e sabe do sentimento de amizade que Cristina tem com ela", disse o chanceler. "Acho que Dilma vai nos dar uma grande alegria, que não vai ser tão difícil a ausência de Lula", concluiu.

A possibilidade de um acordo comercial entre o Mercosul e a Coreia do Sul foi foi tema do encontro da presidenta com o primeiro ministro sul-coreano, Kim Hwang-Sik, na manhã de hoje no Palácio do Planalto. Além disso, também foram debatidos acordos de cooperação na área tecnológica entre os países, como na energia nuclear, petróleo e construção naval. Dilma e Hwang-Sik também citaram a necessidade de reequilibrar o comércio exterior entre os dois países, que tem sido majoritariamente deficitário para o Brasil. Em 2009, o saldo comercial entre os dois ficou negativo em US$ 2,16 bilhões para os brasileiros. Em 2010, o número mais que dobrou, para um déficit de US$ 4,4 bilhões.

*Com informações da EFE , AFP e Agência Estado

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