Na berlinda, Negromonte diz que PSDB 'dá show' em Minas

Ministério das Cidades está envolvido em suspeitas de fraude em obras da Copa do Mundo. Ministro diz que seu futuro cabe a Dilma

Denise Motta, iG Minas Gerais |

O País só pode crescer se tivermos bons presidentes e, os Estados, se tiverem bons governadores. E aqui a gente sabe que o senhor dá um show de administração pública", disse o ministro, se dirigindo a Anastasia

O ministro das Cidades, Mario Negromonte (PP), trocou elogios nesta terça-feira (06) com o governador mineiro Antonio Anastasia (PSDB) e destacou ter “admiração grande” pelo senador Aécio Neves (PSDB), que trabalha para viabilizar sua candidatura presidencial em 2014. A pasta chefiada por Negromonte está envolvida em uma série de suspeitas de irregularidades .

Negromonte participou de solenidade de assinatura de convênios com prefeituras mineiras dentro do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida 2. O partido do ministro integrou o chamado movimento Dilmasia, no qual legendas abraçaram, no ano passado, a candidatura de Dilma Rousseff (PT) e de Anastasia. O vice de Anastasia, Alberto Pinto Coelho, é do PP. O tucano também tem em sua cota de primeiro escalão o deputado estadual licenciado Gil Pereira (PP) na secretaria estadual de Desenvolvimento dos Vales Jequitinhonha, Mucuri e do Norte de Minas.

Entenda o caso: Fraude no Ministério das Cidades eleva custo de obra da Copa

AE
Mário Negromonte, ministro das Cidades

“Tenho uma admiração muito grande pelo ex-governador Aécio Neves, que foi meu amigo, companheiro no Congresso Nacional, e nós temos que continuar essa parceria com gestor moderno e competente. É isso que a sociedade quer. O País só pode crescer se tivermos bons presidentes e, os Estados, se tiverem bons governadores. E aqui a gente sabe que o senhor dá um show de administração pública", referiu-se ao governador Anastasia, em discurso para mais de 100 prefeitos, de diversos partidos.

Alberto Pinto Coelho vem reiterando em entrevistas que sua grande missão para 2014 é viabilizar o apoio de sua legenda ao projeto presidencial de Aécio. O presidente nacional do PP, senador Francisco Dornelles (RJ), é primo de Aécio, mas sua legenda é base de sustentação do governo federal.

Em entrevista após o evento, Negromonte disse que “quando o governo é eficiente, isso facilita, o governo (federal) abre as portas”. E continuou: “o governador aqui é muito eficiente, competente e tem um governo muito dinâmico; é um gestor moderno. É lógico que a parceria facilita e a gente sabe que, para retirar recurso do governo federalm precisa ter equipe muito competente. E o governador Anastasia tem uma equipe muito competente”, frisou.

Anastasia, também em entrevista, agradeceu a “gentileza do ministro”, um “amigo de Minas, meio mineiro e meio baiano”. 

Suspeitas no ministério

Negromonte disse estar tranquilo para prestar esclarecimentos no Congresso, na próxima quinta-feira (08), e que se for identificado algum erro, “não irá passar a mão na cabeça de ninguém”. Uma suposta fraude teria encarecido em R$ 700 milhões uma obra em Cuiabá, cuja responsabilidade é do Ministério das Cidades.

Destacando que seu ministério é muito cobiçado, Negromonte ressaltou que seu partido o apóia. “Nosso partido está fechado comigo. No momento certo, que a presidenta me chamar, eu vou conversar com ela. Se eu me sentir confortável em continuar, continuo. Se não me sentir (confortável), vou conversar com ela (Dilma) e a gente vai discutir este assunto. Volto a dizer. Não estou preocupado em ficar nem em sair. Estou preocupado em exercer um bom papel e isso eu tenho feito”.

Questionado se permanecerá após reforma ministerial, prevista para o início de 2012, respondeu: “Olhe, só tenho duas certezas: quem sabe disso é ela (Dilma) e eu. E não tenho apego a cargo.”

Para o ministro, "existiu um açodamento", mas a questão de mudança de modal é "uma coisa natural". "O programa está sendo implantado agora, vai ser licitado ainda, então, não tem agonia. Quem tiver preocupado com o Mato Grosso, que vá pra lá acompanhar licitação. Ministério Público, CGU (Controladoria Geral da União), TCU (Tribunal de Contas da União) vão acompanhar. Isso é uma coisa normal”, afirmou, referindo-se à mudança de BRT (sistema de ônibus) para VLT (sistema sobre trilhos) onerando a obra no Mato Grosso em R$ 700 milhões.

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG