Na base de Dilma, parlamentares admitem uso eleitoral do PAC

Congressistas alinhados ao Planalto exaltam execução de obras e dizem que capitalização política é 'natural' do sucesso do governo

Fred Raposo, iG Brasília |

De olho nas urnas, parlamentares governistas admitem que os partidos da base devem capitalizar politicamente, em ano eleitoral, as obras milionárias do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) - principal vitrine de investimentos das gestões do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da presidenta Dilma Rousseff , que em 2012 completa cinco anos.

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O deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) defende que a capitalização nos pleitos é “natural do sucesso de um governo”, embora negue que o PAC tenha nascido com objetivo eleitoreiro. “Se as coisas são bem feitas e atendem o anseio da população você capitaliza, se não forem bem feitas e não atenderem ao anseio da população, não adianta investir que não capitaliza”, afirma.

AE
Se obras atendem aos anseios da população, capitalização política acaba sendo natural, diz Eduardo Cunha

“O PAC é uma política de priorização de projetos para as coisas andarem com celeridade. A priorização foi tão importante que foi com o título de ‘Mãe do PAC’ que a Dilma alavancou sua candidatura à Presidência”, diz Cunha, que destaca as obras do Complexo do Alemão, onde foram investidos R$ 939 milhões, como uma das mais importantes para o Rio de Janeiro.

O rol das obras com maior potencial eleitoreiro, em geral, são as que receberam maior volume de recursos e que tiveram andamento rápido ou já foram concluídas. É o caso, por exemplo, do programa “Luz Para Todos”, da construção das hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, em Rondônia, e da ferrovia Transnordestina, que liga portos do Ceará e Pernambuco ao sertão piauiense, que juntos somam investimentos de cerca de R$ 40 bilhões.

“O PAC representa uma virada no processo de investimento em infraestrutura no País, com desdobramentos em áreas como moradia, macro drenagem, saúde, saneamento, escolas”, diz o líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), ao reconhecer que, em 2012, haverá maior influência junto ao eleitorado nos municípios onde há intervenção do PAC, embora ressalve que o programa não será o tema “central” do pleito.

Para o presidente nacional do PMDB, senador Valdir Raupp (RO), o PAC terá “reflexo direto nas urnas”. “Em todo o País, quando a economia vai bem, a população fica contente com os governantes. Quando a economia cai, a popularidade do governo cai na mesma proporção”.

Segundo o peemedebista, Rondônia recebeu mais de R$ 30 bilhões, desde 2007, sendo que cerca de 70% deste total já teriam sido pagos. “Graças a esses investimentos, o Estado tem crescimento acima da média nacional. Quando o Brasil cresceu 7%, Rondônia cresceu 9%”, assinala Raupp.

Oposição

Embora apresente críticas, como lentidão nas obras, a oposição também tenta colher dividendos do PAC. “O PAC hoje e, aliás, todos os programas do PT, são sequência daqueles iniciados pelo governo Fernando Henrique Cardoso, só que rebatizados”, reclama o senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), pré-candidato à prefeitura de Belém.

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“O ‘Luz para Todos’, por exemplo, é o ‘Luz no Campo’, que veio do governo FHC e ao qual foi dada continuidade pelo Lula, levou energia para aquela população rural de agricultura familiar que não tinha meios”, diz. “Reconhecemos a importância do programa, mas que foi mal gestado e acabou sendo usado politicamente. Faltou uma elaboração e análise técnica mais apurada.”

Líder da minoria na Câmara, deputado Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG) avalia, no entanto, que o PAC não deve influenciar o eleitorado nas eleições de 2012. “A minha opinião é de que o PAC não capta votos”, afirma o tucano. “O programa não reflete os anseios população no que diz respeito ao crescimento do País. É a união de varias iniciativas de vários ministérios mal tocadas, uma obra de ficção, um plano de marketing, algo que o governo tem obrigação de fazer.”

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