Na Argentina, Pimentel diz que denúncias são 'caso superado'

"Eu estou tranquilíssimo, já dei todas as explicações que tinham de ser dadas", diz ministro

BBC Brasil |

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O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, disse nesta sexta-feira, em Buenos Aires, que as denúncias contra ele são um "episódio superado". Pimentel está na capital argentina acompanhado do assessor especial da Presidência, Marco Aurélio Garcia, para participar de reunião sobre assuntos comerciais com o país vizinho.

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"Eu estou tranquilíssimo, já dei todas as explicações que tinham de ser dadas. Eu tenho certeza de que esse episódio está superado", disse o ministro aos jornalistas brasileiros, ao chegar ao Palácio San Martín, sede do Ministério das Relações Exteriores da Argentina.

Questionado se iria ao Congresso Nacional, caso fosse convocado a dar explicações sobre as acusações de irregularidades, Pimentel respondeu: "acho que não há necessidade, mas evidentemente, se o Congresso convocar, eu tenho que ir, porque a obrigação do ministro é atender às convocações do Congresso".

Denise Motta/iG
Consultoria de Pimentel está no centro de uma série de suspeitas sobre favorecimento a empresas

No último domingo, uma reportagem do jornal O Globo afirmou que Pimentel recebeu R$ 2 milhões como pagamento de serviços de consultoria para empresas em 2009 e 2010. O dinheiro, de acordo com o jornal, foi recebido depois que Pimentel deixou a prefeitura de Belo Horizonte e antes que ele assumisse como ministro.

Segundo a Agência Brasil, Pimentel nega que tenha influenciado o resultado de uma licitação realizada pela prefeitura para favorecer o grupo Convap, para o qual prestou consultoria em 2010, como informou a reportagem. Nesta sexta-feira, o ministro disse que participará da reunião de cúpula do Mercosul, nos dias 19 e 20 próximos, em Montevidéu, no Uruguai, sinalizando que pretende continuar no cargo.

Comércio bilateral

A reunião com a ministra da Indústria da Argentina, Débora Giorgi, é realizada num momento de comércio bilateral recorde, superando os US$ 30 bilhões e com expectativas otimistas. No entanto, os argentinos reclamam do crescente deficit na balança comercial, embora a moeda argentina, o peso, esteja desvalorizada na comparação com o real.

"A Argentina é nosso principal parceiro comercial no continente americano e vamos conversar aqui sobre questões de longo prazo", disse Pimentel. Entre os assuntos a ser discutidos, especula-se que estaria a reclamação do Brasil contra as licenças não-automáticas argentinas, que estariam demorando além dos 60 dias de prazo estabelecidos pelos organismos internacionais.

Com isso, exportadores brasileiros reclamam que produtos de verão acabam desembarcando na Argentina somente no inverno, devido à burocracia que, segundo eles, atrasa a entrada das mercadorias no mercado vizinho.

Nesta semana, no entanto, analistas disseram à BBC Brasil que a estagnação da economia brasileira gerou preocupação entre empresários argentinos, que temem que o país aumente ainda mais suas exportações para o vizinho diante da possível queda no consumo brasileiro.

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