Mudanças em prévias e filiações viram tema de piada no PT

Integrantes do grupo que dá as cartas na legenda ironizaram propostas de reforma do estatuto, como a de filtrar filiações

Ricardo Galhardo, iG São Paulo |

As propostas de endurecimento das regras para filiação no PT e outras mudanças no estatuto partidário cujo objetivo é evitar distorções e fraudes nas disputas internas viraram motivo de piada entre os participantes do seminário promovido neste fim de semana pelo grupo que dá as cartas dentro do partido.

“Eu também vou ter que fazer o Enem do PT?”, perguntava o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, em clima de galhofa, na saída do evento. Dirceu que é fundador do PT, foi presidente e continua exercendo forte liderança no partido considerou as propostas “um absurdo”. “Não é possível proibir o cidadão de se filiar a um partido”, disse ele.

AE
Dirceu ironizou proposta de fixar critérios para filiações dizendo que seria preciso prestar uma espécie de "Enem" para ingressar no PT
O seminário realizado no último fim de semana reuniu num hotel em São Paulo líderes do grupo hegemônico na sigla. Representadas pela chapa Partido que Muda o Brasil (PMB) na última eleição interna, participaram as correntes Construindo um Novo Brasil (CNB), PT de Luta e de Massa (PTLM) e Novos Rumos.

No evento, o PT discutiu o trabalho de uma comissão criada pelo partido para apresentar um anteprojeto de reforma do estatuto a ser votado no Congresso Nacional petista, em setembro. Os temas mais polêmicos são as mudanças nas regras para filiados e também para a realização de prévias.

O objetivo é impedir as filiações artificiais, promovidas por alguns grupos petistas, de pessoas que só aparecem nas eleições para a direção do partido. Muitas vezes essas pessoas não têm qualquer vínculo com o PT e são financiadas por lideranças. A avaliação é que as disputas internas foram contaminadas por práticas ilegais comuns em eleições.

Entre as propostas estão o exigência de contribuição financeira anual (hoje é a cada três anos), participação em cursos de formação política e em um número mínimo de atividades do partido. Assim os formuladores das propostas esperam reduzir as fraudes e a influência do poder financeiro nas disputas internas.

“Desse jeito vai ficar mais difícil entrar no PT do que na maçonaria ou no islamismo. Querem um partido bolchevique?”, ironizou o deputado Jilmar Tatto (PT-SP).

Prévias

A comissão de reforma do estatuto também apresentou propostas para mudar a fórmula das prévias . Entre elas que o pré-candidato consiga a adesão de pelo menos 20% dos filiados no diretório em disputa.

As propostas dividiram os participantes do seminário. As três correntes que integram a chapa PMB decidiram que não vão fechar uma posição devido à falta de consenso. “As propostas foram apresentadas justamente para suscitar o debate. Quem faz piadinha quer desqualificar o debate. O importante é que acertamos no diagnóstico”, disse Gleber Naime, integrante da comissão de reforma estatutária.

A maioria dos participantes defendeu a manutenção do sistema de prévias como último recurso, esgotadas todas as possibilidades de negociação política. A exceção foi o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, que se posicionou contra as prévias.

“Tem que tomar cuidado para não parecer que é uma posição antidemocrática, mas nos casos em que não se conseguir acordo prefiro que o partido chame as lideranças, discuta o problema e chegue a um consenso”, disse ele. Para Carvalho, disputas anteriores mostram que as prévias podem ser “viciadas por vários problemas, inclusive por influência econômica” e muitas vezes servem apenas a interesses pessoais, prejudicando o partido.

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