MPF pede que Supremo forneça à Câmara informações sobre Roriz

Solicitação foi encaminhada a pedido do presidente da Câmara, Marco Maia, antes de processo disciplinar contra Jaqueline Roriz

iG São Paulo |

Em resposta a um pedido feito pelo presidente da Câmara, Marco Maia, o Ministério Público Federal solicitou ao relator do inquérito que apura as denúncias contra Jaqueline Roriz no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa, o encaminhamento de todas as informações relativas às denúncias contra a deputada Jaqueline Roriz (PMN-DF).

As acusações contra a filha do ex-governador do DF Joaquim Roriz são analisadas pelo Supremo, que já tomou depoimentos de Durval Barbosa, pivô do “mensalão do DEM”.

Operador e delator do suposto esquema de corrupção, Durval, ex-secretário de Relações Institucionais do governo José Roberto Arruda, foi quem gravou u m vídeo em que Jaqueline Roriz aparece ao lado do marido, Manoel Neto, recebendo R$ 50 mil como propina .

Maia pediu que sejam encaminhados ao Legislativo os depoimentos de Durval. O material deve ser usado de base para o processo disciplinar que contra a deputada que deverá ser instaurado na semana que vem no Conselho de Ética da Câmara.

Na semana passada, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, havia pedido ao Supremo a abertura de inquérito contra Jaqueline Roriz, que tem foro privilegiado. O pedido foi recebido pelo STF.
O vídeo que mostra Jaqueline recebendo o dinheiro é datado de 2006, época em que a deputada buscava sua reeleição para a Câmara Legislativa de Brasília. Ela se tornou deputada federal nas eleições de 2010.

Deputados do Conselho de Ética disseram hoje também que querem convidar Durval Barbosa a prestar esclarecimentos no processo contra a deputada. Como o Conselho de Ética não tem poder de convocação, Durval só comparecerá ao colegiado se desejar.

O deputado Fernando Francischini (PSDB-PR) já tinha sugerido na reunião do Conselho realizada ontem que o ex-secretário fosse chamado. Diante da entrevista, Francischini considera a presença do delator ainda mais importante para as investigações. "Ele tem que vir e falar tudo o que sabe para que possamos fazer uma faxina no Congresso. Agora, se ele não vier, nós vamos oficiar ao procurador-geral da República um pedido que retire dele a condição da delação premiada, que está parecendo mais uma chantagem premiada".

O deputado Sílvio Costa (PTB-PE) acredita que o ex-secretário tem de ser o primeiro a ser ouvido logo que for instaurado o processo e escolhido um relator. "A primeira providência tem de ser a de convidar o Durval. Não tem como não chamar. Ela diz que é caixa dois, ele diz que é dinheiro sujo, então, tem que colocar essa questão no Conselho".

O corregedor, deputado Eduardo da Fonte (PP-PE), que trabalha em outra frente de investigação sobre o caso, também acredita que o Conselho deve ouvir o delator. "Essa fase de ouvir o Durval é no Conselho de Ética. Aqui na Corregedoria a gente só faz a instrução, mas acho que no Conselho ele deve ser ouvido. O que ele falou está confirmando o que a cena da gravação mostra". O deputado Sérgio Brito (PSC-BA) é outro que defende a presença de Durval. "Ele é uma das principais testemunhas do caso. Não poderá ficar de fora".

Apenas o deputado petista Sibá Machado (PT-AC) se mostrou mais cauteloso. Para ele, é preciso tomar cuidado para não transformar a investigação contra a deputada em uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). "Se for para ele vir para fazer um depoimento sobre uma penca de coisas, acho que não é válido. Que faça isso na Polícia Federal, no Ministério Público. Se o relator pedir o depoimento, nós iremos analisar. Mas, a princípio, acho que o Conselho não precisa ouvi-lo".

Escândalo no DF

O escândalo do DF foi revelado pelo iG em novembro de 2009 . De acordo com o Ministério Público, o ex-governador Arruda, que chegou a ser preso, liderava um esquema de desvio de recursos públicos para enriquecimento pessoal e para o pagamento de deputados da base aliada. O esquema foi desmontado com a operação Caixa de Pandora da Polícia Federal.

Na época em que noticiou o escândalo, o iG trouxe a público o vídeo em que Arruda aparecia recebendo propina. Além disso, a reportagem revelou diversos vídeos que incriminavam outros envolvidos. Também obteve acesso ao conteúdo do inquérito que deflagrou a operação da PF e antecipou os principais acontecimentos relacionados ao caso.

*Com informações da Agência Câmara

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