Dez pessoas, entre elas 4 ex-deputados vinculados à Igreja, foram denunciadas por suspeita de fraude em licitação de ambulâncias

O Ministério Público Federal (MPF) em São Paulo denunciou dois ex-dirigentes da Associação Beneficente Cristã (ABC), entidade ligada a Igreja Universal do Reino de Deus, por estelionato e fraude a licitações. O ex-presidente da ABC, Saulo Rodrigues da Silva, e o ex-diretor, Randal Ferreira de Brito, participaram, segundo o MPF, do esquema conhecido como a máfia dos Sanguessugas.

Além deles, oito pessoas são acusadas de participar de licitações fraudulentas para a compra de sete ambulâncias, no período de 2002 a 2005, que teriam causado um prejuízo superior a R$ 2,1 milhões aos cofres públicos.

De acordo com o Ministério Público, as emendas orçamentárias que possibilitaram a compra das sete ambulâncias teriam sido elaboradas por quatro ex-deputados federais que possuem vínculos com a Igreja Universal. Os ex-deputados Wagner Salustiano, Marcos Roberto Abramo, Bispo Vandeval e João Batista Ramos da Silva também estão entre os denunciados pelos crimes de estelionato e corrupção passiva.

Os empresários Darci Vedoin, Cléia Vedoin, Luiz Antônio Trevisan Vedoin e Ronildo Pereira Medeiros foram denunciados por fraude à licitação e corrupção ativa. Segundo o MPF, eles eram os responsáveis por entrar em contato com as prefeituras e as entidades que recebiam as verbas e orientá-las na elaboração do esquema de compras.

Geralmente, as ambulâncias não tinham os equipamentos médicos ou odontológicos necessários. De acordo com o MPF, o dinheiro que seria destinado aos itens não adquiridos era dividido entre os participantes do esquema.

O esquema de fraudes a licitações no Ministério da Saúde foi descoberto pela Polícia Federal em maio de 2006 com a deflagação da Operação Sanguessuga. As operações ilegais seriam lideradas pelos sócios da empresa Planam, sediada em Mato Grosso.

A Agência Brasil entrou em contato com a Igreja Universal, mas não obteve resposta até a publicação da reportagem.

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