MP não consegue provar a "imaginada compra de votos", diz Dirceu

Em defesa no mensalão, Dirceu diz que só se dedicava ao governo, não comandava o PT e não tinha ciência das atividades de Delúbio

Severino Motta, iG Brasília |

Em defesa apresentada ao Supremo Tribunal Federal (STF) na Ação Penal do mensalão, o ex-ministro José Dirceu refutou as acusações e disse que o Ministério Público não conseguiu provar a existência da compra de apoio da base parlamentar durante o governo Luiz Inácio Lula da Silva. Seus advogados sustentam que ele não tinha poder de comando sobre o PT e que não sabia das atividades do ex-tesoureiro da sigla Delúbio Soares.

AE
Ex-ministro José Dirceu diz que o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares agia por conta própria
“A análise do processo demonstra que também não foi provada a existência da imaginada compra de votos ou mesmo a participação de José Dirceu nos repasses de valores que a denúncia tipifica como corrupção ativa”, diz trecho da defesa.

Alegando que o Ministério Público o acusou com base em “prova alguma”, a defesa de Dirceu sustenta que ao longo do processo um “conjunto probatório se revelou (...) para comprovar cabalmente a inocência do ex-ministro”.

Rebatendo ponto a ponto cada uma das acusações, Dirceu disse que o depoimento do presidente do PTB Roberto Jefferson, que revelou o caso do mensalão, foi desmentido pelos demais envolvidos no processo.

Alegou que o Ministério Público não conseguiu apontar relação entre saques de recursos e as votações do Congresso. Disse ainda que a base de apoio sempre foi a favor dos projetos do governo e que parte dela foi montada ainda em 2002, visando as eleições presidenciais.

“A análise do processo também demonstra a falta de lógica no raciocínio da acusação, uma vez que parlamentares supostamente corrompidos integravam a base aliada, ocupavam ministérios e sempre votaram a favor do governo Lula, que já apoiavam até mesmo durante as eleições de 2002”.

Por fim o ex-ministro negou vínculos como publicitário Marcos Valério, disse que não tinha influência sobre o PT quando estava no governo - pois se dedicava exclusivamente à Casa Civil - e alegou que o ex-tesoureiro de seu partido, Delúbio Soares, agia por conta própria.

“Todas as provas mostram que Delúbio Soares atuava com independência e sem a necessidade de ciência ou anuência de José Dirceu (...) O pedido de condenação de José Dirceu feito pela Procuradoria Geral da República é fundamentado somente no argumento de que é necessário dar um exemplo à sociedade.”, diz trecho da defesa.

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