Secretário-geral do PT no Estado disse que ele sofria ameaça por denunciar casos de corrupção; ministra diz que trata-se de crime político

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O caso do vereador Marcelino Chiarello (PT), que apareceu enforcado no quarto de sua casa na manhã de segunda-feira, em Chapecó (SC), passou a ser tratado como homicídio. "É praticamente nula a possibilidade de suicídio. Os laudos periciais estão sendo analisados mas, pelas evidências materiais, se trata de um homicídio", comentou Ronaldo Moretto, um dos seis delegados da Polícia Civil responsáveis pelo caso. "O tamanho da laçada ao redor do pescoço evidenciando que houve tensão antes que o corpo fosse suspendido é uma das constatações, afirmou Moretto.

Chiarello foi encontrado morto pela mulher, suspenso por uma alça de mochila na janela de seu quarto no final da manhã de segunda-feira, 28. Segundo Moretto, o resultado dos laudos periciais serão divulgados nos próximos 30 dias, tão logo sejam feitas as oitivas das várias testemunhas. O caso chocou a comunidade chapecoense, principalmente os dirigentes do partido que a vítima era filiada. Cerca de 48 horas antes de aparecer morto, Chiaretto havia comentado com colegas que precisava de proteção policial, mas não chegou a encaminhar o pedido à polícia.

O secretário-geral do PT em Santa Catarina José Roberto Paludo, disse que as supostas ameaças tinham relação com as denúncias do vereador aos casos de corrupção e de desvios de finalidades das ações públicas do governo municipal de Chapecó, inicialmente contra o ex-prefeito e atual secretário estadual de agricultura João Rodrigues (DEM) e depois contra o atual prefeito José Claudio Caramori (PSD).

Segundo Paludo, com base nas denúncias de Chiaretto, o Ministério Público afastou, pela segunda vez, o vereador do PSD Dalmir Pelicioli do cargo de secretário regional da prefeitura de Chapecó após comprovar desvio de recursos de subvenções sociais às entidades comunitários da cidade. "O PT está chocado com mais essa afronta à vida humana", disse.

A ministra das Relações Institucionais Ideli Salvatti, que já se manifestou qualificando a tragédia como crime político, através da deputada estadual Luciane Carminatti (PT-SC) sugeriu a intervenção da Polícia Federal na apuração do caso. O PT pediu, inclusive, a participação do Ministério da Justiça nas investigações. "Lamentamos profundamente que um cidadão da importância do Marcelino tenha tido este fim. Esperamos que o mais rapidamente possível sejam apurados os porquês e os causadores desta tragédia", pronunciou-se o prefeito de Chapecó José Claudio Caramori (PSD).

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