Morre Helena Greco, primeira vereadora do PT em Belo Horizonte

Ela foi fundadora da sigla e se destacou por lutar pelos direitos das famílias das pessoas que desapareceram durante a ditadura

Denise Motta, iG Minas Gerais |

Arquivo Pessoal
Helena Greco (1916-2011)
Referência na luta pelos direitos de parentes de desaparecidos políticos e incansável na luta pela anistia aos perseguidos pela ditadura militar que se estendeu de 1964 a 1985, Helena Greco morreu nesta quarta-feira em sua casa, em Belo Horizonte, após contrair uma pneumonia . Seu corpo está sendo velado no cemitério Parque da Colina, região Oeste da capital mineira. O enterro está marcado para 11h de quinta-feira (28).

Nascida em Abaeté, a 215 quilômetros de Belo Horizonte, em 15 de junho de 1916, ela era viúva, deixa três filhos e três netos. Primeira vereadora pelo PT na capital de Minas e uma das fundadoras da legenda, Helena Greco serviu de inspiração para a criação do Instituto de Direitos Humanos e Cidadania, que levou seu nome, e foi fundado para lutar pelas famílias com parentes desaparecidos durante a dutadura. Na Câmara Municipal, ela teve  dois mandatos (1983-1988 e 1989-1992) e costumava dizer que a cidadania depende diretamente da nossa capacidade de indignação. Sua frase predileta era: “Indignação só se concretiza a partir do exercício permanente da perplexidade".

O PT de Minas Gerais divulgou nota de pesar do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva . Na nota, Lula destaca que “o nome de Helena Greco está ligado para sempre à causa dos direitos humanos no Brasil” e afirma ainda que Helena “foi lutadora incansável contra a ditadura e pela redemocratização do País”. O ex-presidente destaca que o destemor de Helena “a tornou uma das principais referências da campanha pela anistia irrestrita e, posteriormente, dedicou-se com a mesma coragem e determinação à defesa dos trabalhadores e de todos os oprimidos.”

Helena participou “com entusiasmo” da criação do PT, tendo integrado a direção nacional do partido, recorda-se Lula: “Mulher admirável, granjeou o respeito e o carinho de todos os que tiveram a felicidade de conhecê-la. A querida Helena Greco ficará em nossos corações como um exemplo extraordinário de dignidade e espírito de justiça”.

Formada em Farmácia, ela foi uma das 52 brasileiras que integraram a lista do Projeto Mil Mulheres para o Prêmio Nobel da Paz, lançado na Câmara dos Deputados em 2004. A iniciativa do projeto foi da Fundação Suíça pela Paz.

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