Moradora entrega carta a Lula pedindo casa do PAC de presente

Grupo Mulheres da Paz, que desenvolve ações sociais no Complexo do Alemão, levou pedidos ao presidente

Vicente Seda, iG Rio de Janeiro |

Vicente Seda, iG Rio de Janeiro
Joselma Mendonça de Queiroz, do grupo ¿Mulheres da Paz¿
A chegada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Morro da Baiana, no Complexo do Alemão, mobilizou a população que se aglomerou na rua para tentar se aproximar do presidente que se despede do cargo. Sob forte calor, Lula não perdeu o sorriso em nenhum momento, premiou empreendedores, testou o teleférico partindo da estação de Bonsucesso, e recebeu cartas com pedidos do grupo denominado “Mulheres da Paz”, que desenvolve ações sociais na região.

Joselma Mendonça de Queiroz completará 59 anos no primeiro dia de 2011 e preparou uma carta com o seu pedido de presente. A integrante do grupo afirmou que muitos moradores ainda têm medo de falar sobre os problemas, armas, bandidos, e torce para que a atuação do estado permaneça com a mesma intensidade. Moradora do Morro do Adeus, também parte do Complexo do Alemão, ela sonha com um presente: uma casa do PAC.

“A sensação das pessoas aqui é de alívio, de esperança. Que continue assim. Muitos moradores ainda têm medo de falar, medo de armas, medo de os bandidos voltarem. A minha carta agradece a tudo isso que vem sendo feito e fala dessa esperança que a pacificação deu ao povo do Alemão. Agora, como faço aniversário no dia 1º de janeiro, estou pedindo de presente uma moradia do PAC”, disse Joselma.

Outra mulher da paz, Sandra do Carmo Amado, moradora do Morro da Baiana, visitado por Lula, também trabalha na Prefeitura do Rio, no combate à dengue, e atua no grupo social como agente de saúde. Em vez de carta, trouxe um abaixo assinado dos moradores do Morro dos Mineiros, onde diz haver graves problemas de risco de deslizamento de casas construídas em encostas, além de acúmulo de lixo nas ruas e saneamento precário.

“Há várias comunidades menores por aqui que não foram contempladas com o PAC e estou trazendo esse documento para que o governo olhe também por essas pessoas. Lá no Morro dos Mineiros o saneamento é precário e há muitas casas que podem desabar em encostas. Essas chuvas de janeiro sempre preocupam. Há muitos casos de hepatite e o abastecimento de água é bastante deficiente”, contou Sandra, que trouxe ainda uma denúncia de uma moradora de Itararé, também no Alemão, reclamando do atendimento da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) no local:

“Ela denuncia a falta de assistência, diz que a UPA não atende quase nada. Por aqui, como é morro, há muitos casos de queda, criança que leva tombo ou pessoa que cai da laje, por exemplo. Não há um ortopedista na UPA, pediatra só de vez em quando, é raro. Por isso estou encaminhando esse pedido da moradora”, completou Sandra.

A solenidade na estação do teleférico do Morro da Baiana teve muitas brincadeiras, presença de diversos políticos e até inaugurações por videoconferência, já que a agenda em Brasília não permitiu a Lula cumprir a programação prevista para sua última visita oficial ao Rio de Janeiro. O governador Sérgio Cabral tratou de exaltar os feitos do presidente, inclusive a duplicação do trecho entre Santa Cruz e Mangaratiba da BR101, em inauguração feita pelo ministro dos transportes, Paulo Sérgio Passos, e acompanhada por Lula em vídeo, bem como a inauguração das moradias do PAC na Rocinha.

O ministro ressaltou que, no PAC 2, além dos 26km já duplicados da BR101, haverá obras em mais 170km da rodovia, duplicando toda a estrada até a divisa com São Paulo. “É um momento histórico. Essa estrada foi uma obra muito mal feita nos anos 70, uma obra muquirana, por isso é que sempre temos problemas com barreiras, por exemplo. O senhor (Lula) está corrigindo um erro que durou 40 anos”, disse Cabral.

Vicente Seda, iG Rio de Janeiro
Estação do teleférico do Morro da Baiana, inaugurado hoje pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva
O evento contou com a presença do presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman, e Lula não perdeu tempo: “Quero que você leve essa imagem aqui para os gringos, que achavam que nós não poderíamos fazer uma Olimpíada. Faremos muito melhor do que eles. Esse teleférico vai concorrer com o Pão de Açúcar como ponto de visitação”, disse o presidente, antes de revelar que Cabral foi às lágrimas ao passar sobre o Complexo do Alemão na gôndola do teleférico, que só estará aberto para o público em março:

“O Rio está se recuperando de décadas de governos voltados para 30% da população. Eu prezo muito as pessoas que choram. Quem não chorou na conquista da sede da Olimpíada tem lágrimas de crocodilo. Vi no teleférico esse moço (Cabral) chorar. Todos nos emocionamos quando vimos a polícia, o Exército, entrar aqui como amigos da população”, disse Lula, concluindo com uma frase de efeito: “O Complexo do Alemão já não é bicho-papão, é um cenário de estação para que o povo possa viver com satisfação”.

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