Miriam Belchior entra na lista de cotados para vaga de Palocci

Líderes petistas avaliam que Dilma pode optar por solução 'técnica' se tiver que substituir chefe da Casa Civil

Ricardo Galhardo e Clarissa Oliveira, iG São Paulo |

Líderes do PT colocaram o nome da ministra do Planejamento, Miriam Belchior, na bolsa de apostas do partido para a eventual substituição de Antonio Palocci na Casa Civil. Diante do isolamento cada vez maior do ministro e do risco de ele terminar fora do governo, ganha força no partido e no Planalto a avaliação de que Dilma poderia optar por uma “solução técnica” na hora de preencher o posto.

Essa mesma premissa colocou a própria Dilma na Casa Civil em 2005, quando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva viu a crise do mensalão derrubar o então ministro José Dirceu. Segundo petistas, Miriam levaria vantagem sobre os demais nomes citados devido ao amplo conhecimento sobre a máquina pública e à proximidade com a presidenta desde o governo Luiz Inácio Lula da Silva.

Outros nomes citados como possíveis substitutos de Palocci são os dos ministros Paulo Bernardo (Planejamento), Gilberto Carvalho (Secretaria Geral da Presidência), Fernando Pimentel (Indústria e Comércio) e Alexandre Padilha (Saúde).

Agência Estado
Miriam substituiu Erenice Guerra, que deixou cargo no ano passado
Para líderes governistas, a eventual saída de Palocci daria a Dilma a oportunidade de preencher a vaga com um nome de sua confiança. A presidenta, no entanto, teria também que assegurar o bom relacionamento com o PT em meio à crise e possivelmente evitaria opções que apresentem risco de atrito com os grupos que dão as cartas no partido. Com bom trânsito no PT paulista, Miriam foi casada por 10 anos com o prefeito assassinado de Santo André, Celso Daniel e tem em seu círculo próximo de relacionamento nomes como Gilberto Carvalho.

De acordo com fontes próximas à presidenta, a ideia de ter Miriam na Casa Civil acarretaria uma reconfiguração do núcleo duro do governo. Por seu perfil estritamente técnico, ela exerceria a função de gerente, como ocorreu com Dilma. Apesar disso, manteria sob o controle da Casa Civil as nomeações para cargos de segundo e terceiro escalões.

Já a articulação política, hoje em grande parte a cargo de Palocci, seria dividida entre o desprestigiado Ministério das Relações Institucionais e a Secretaria Geral da Presidência. Além disso, o papel informal de Lula como articulador político seria reforçado.

Opções

Até o início desta semana, o nome mais cogitado para o posto de Palocci era o de Paulo Bernardo. O ministro das Comunicações é um dos petistas que entraram no grupo de confiança e seu nome chegou a ser cotado para a Casa Civil antes de o posto ficar nas mãos de Palocci.

Se Bernardo substituísse o chefe da Casa Civil, a configuração do governo continuaria a mesma. Mas alguns integrantes do governo enxergaram na última semana tentativas de queimar o ministro das Comunicações e enfraquecer seu nome na lista de alternativas.

Amigo de Dilma, Pimentel sofre forte rejeição de setores do PT, pela aproximação com o PSDB que comandou em Minas Gerais e pelos atritos que teve com a ala majoritária do PT durante a campanha presidencial. Carvalho, por sua vez, ocupa uma posição considerada estratégica no governo e Padilha não estaria disposto a deixar o Ministério da Saúde.

Miriam, por sua vez, já ocupou por um curto período o cargo que hoje é de Palocci. Na época coordenadora do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), ela substituiu Erenice Guerra, que teve de deixar o governo sob denúncias de um esquema de tráfico de influência na Casa Civil.

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