Líderes petistas avaliam que Dilma pode optar por solução 'técnica' se tiver que substituir chefe da Casa Civil

Líderes do PT colocaram o nome da ministra do Planejamento, Miriam Belchior, na bolsa de apostas do partido para a eventual substituição de Antonio Palocci na Casa Civil. Diante do isolamento cada vez maior do ministro e do risco de ele terminar fora do governo, ganha força no partido e no Planalto a avaliação de que Dilma poderia optar por uma “solução técnica” na hora de preencher o posto.

Essa mesma premissa colocou a própria Dilma na Casa Civil em 2005, quando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva viu a crise do mensalão derrubar o então ministro José Dirceu. Segundo petistas, Miriam levaria vantagem sobre os demais nomes citados devido ao amplo conhecimento sobre a máquina pública e à proximidade com a presidenta desde o governo Luiz Inácio Lula da Silva.

Outros nomes citados como possíveis substitutos de Palocci são os dos ministros Paulo Bernardo (Planejamento), Gilberto Carvalho (Secretaria Geral da Presidência), Fernando Pimentel (Indústria e Comércio) e Alexandre Padilha (Saúde).

Miriam substituiu Erenice Guerra, que deixou cargo no ano passado
Agência Estado
Miriam substituiu Erenice Guerra, que deixou cargo no ano passado
Para líderes governistas, a eventual saída de Palocci daria a Dilma a oportunidade de preencher a vaga com um nome de sua confiança. A presidenta, no entanto, teria também que assegurar o bom relacionamento com o PT em meio à crise e possivelmente evitaria opções que apresentem risco de atrito com os grupos que dão as cartas no partido. Com bom trânsito no PT paulista, Miriam foi casada por 10 anos com o prefeito assassinado de Santo André, Celso Daniel e tem em seu círculo próximo de relacionamento nomes como Gilberto Carvalho.

De acordo com fontes próximas à presidenta, a ideia de ter Miriam na Casa Civil acarretaria uma reconfiguração do núcleo duro do governo. Por seu perfil estritamente técnico, ela exerceria a função de gerente, como ocorreu com Dilma. Apesar disso, manteria sob o controle da Casa Civil as nomeações para cargos de segundo e terceiro escalões.

Já a articulação política, hoje em grande parte a cargo de Palocci, seria dividida entre o desprestigiado Ministério das Relações Institucionais e a Secretaria Geral da Presidência. Além disso, o papel informal de Lula como articulador político seria reforçado.

Opções

Até o início desta semana, o nome mais cogitado para o posto de Palocci era o de Paulo Bernardo. O ministro das Comunicações é um dos petistas que entraram no grupo de confiança e seu nome chegou a ser cotado para a Casa Civil antes de o posto ficar nas mãos de Palocci.

Se Bernardo substituísse o chefe da Casa Civil, a configuração do governo continuaria a mesma. Mas alguns integrantes do governo enxergaram na última semana tentativas de queimar o ministro das Comunicações e enfraquecer seu nome na lista de alternativas.

Amigo de Dilma, Pimentel sofre forte rejeição de setores do PT, pela aproximação com o PSDB que comandou em Minas Gerais e pelos atritos que teve com a ala majoritária do PT durante a campanha presidencial. Carvalho, por sua vez, ocupa uma posição considerada estratégica no governo e Padilha não estaria disposto a deixar o Ministério da Saúde.

Miriam, por sua vez, já ocupou por um curto período o cargo que hoje é de Palocci. Na época coordenadora do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), ela substituiu Erenice Guerra, que teve de deixar o governo sob denúncias de um esquema de tráfico de influência na Casa Civil.

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