Miriam Belchior deve levar PAC para o Planejamento

Atual subchefe da Casa Civil já foi cotada para ser ministra e possui intensas relações com governos regionais e empresas privadas

Danilo Fariello e Andréia Sadi, iG Brasília |

Agência Estado
A Coordenadora do PAC, Miriam Belchior, ao chegar em reunião com Dilma na Granja do Torto na semana passada
A futura ministra do Planejamento no governo de Dilma Rousseff, Miriam Belchior, deverá levar para o novo cargo o Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), do qual estava à frente como subchefe da Casa Civil. Ela foi uma das responsáveis pela implantação do plano em 2007 e também atuou nos últimos meses na seleção dos projetos do PAC 2, que durará até 2014.

Como integrante da equipe de Dilma, quando esta era a chefe da Casa Civil, Miriam assumiu uma posição de diálogo nos temas referentes a infraestrutura entre União e os Estados e municípios. Ela também sempre recebeu representantes de empresas privadas para dialogar sobre as principais obras do país.

Esse motivo, porém, não garante que sua gestão à frente do Ministério do Planejamento poderá ser vista com tanto agrado pelos governos regionais e pelas empresas. Miriam tem fama de “durona” nas negociações.

Para se ter uma ideia, a escolha dos projetos de infraestrutura urbana para o PAC 2 foi iniciada em junho e até agora sua escolha está em aberto. Para tornar a seleção mais precisa e rigorosa foi criado um site para a inscrição dos projetos.

Trajetória política

Miriam foi mulher de Celso Daniel, prefeito do PT de Santo André que foi assassinado em 2002. Mesmo depois da separação com Daniel, antes do assassinato, Miriam manteve trânsito no PT. No primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, ela atuou na integração de programas sociais no Bolsa Família.

A atual subchefe da Casa Civil é uma das pessoas que mais estiveram presentes às reuniões da equipe de transição, na Granja do Torto e no Centro Cultural Banco do Brasil, em Brasília. Ela assumirá a pasta que será deixara por Paulo Bernardo, cotado para assumir a Casa Civil.

Na Casa Civil, com Dilma e a ex-ministra Erenice Guerra, Miriam formava o trio das mulheres fortes à frente da pasta. Por pelo menos duas vezes, ela foi cotada para assumir a chefia da Casa Civil: quando Dilma deixou o cargo para ser candidata e quando Erenice pediu demissão, depois de denúncias envolvendo sua família. Na saída de Dilma, era Miriam a preferida de Lula e, mesmo com a promoção de Erenice, Miriam permaneceu como única porta-voz do PAC .

Mesmo depois da saída de Erenice, porém, Miriam preferiu negar o posto mais alto da Casa Civil, para evitar o risco de novos escândalos atingirem a campanha de Dilma. Nos últimos dias, a conclusão do primeiro julgamento dos acusados do assassinato de Daniel indicou que o crime teve motivações políticas. Esse fato, como outros envolvendo a gestão em Santo André no período em que Miriam fora secretária, poderia ser mais combustível para a oposição durante a campanha presidencial.

Perfil de planejamento

Miriam mantém o perfil reservado até que sua nomeação seja oficializada, mas, em entrevistas anteriores, afirmou que o Brasil era carente de uma estrutura maior para planejamento de obras, principalmente de infraestrutura, pelas quais respondia.

No PAC 2, foram incluídos projetos para oferecer aos municípios assistência técnica e acompanhamento para que possam produzir projetos mais eficientes. “É um processo contínuo. Tem tudo a ver (com sua nova função)”, diz um interlocutor frequente de Miriam Belchior.

A futura ministra do Planejamento deverá permanecer avessa à imprensa até a oficialização de seu nome para a pasta. Antes de trocar de lado, porém, ainda este ano ela deverá divulgar os projetos escolhidos para o PAC 2 e divulgar o balanço de quatro anos do PAC 1.

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG