Ministro do Turismo tenta se desvencilhar de denúncias

Em depoimento à Câmara, Pedro Novais admite que pode ter ocorrido 'alguma coisa' no ministério

iG São Paulo |

O ministro do Turismo, Pedro Novais, fala neste momento em audiência na Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara. O objetivo do depoimento é esclarecer as denúncias de desvio de recursos públicos na pasta, reveladas pelo Ministério Público Federal do Amapá e pela Polícia Federal.

AE
Pedro Novais, durante depoimento à Câmara nesta quarta

No depoimento, Novais procurou se desvencilhar das denúncias de corrupção na pasta. Disse, por exemplo, que o secretário-executivo da Pasta, Frederico Costa, não foi indicado para o cargo nem pelo PMDB nem pelo PT. Costa foi um dos 36 presos pela Operação Voucher, da Polícia Federal (PF) , sob a suspeita de desviar recursos de emendas parlamentares no Ministério do Turismo.

"O Frederico não foi apresentado nem apoiado nem pelo PMDB, nem pelo PT", garantiu o ministro.

Novais reconheceu que parte dos 170 cargos em comissão do Ministério era ocupada por petistas que saíram da pasta, quando ele assumiu o Turismo. O ministro argumentou que as denúncias levantadas pela Operação Voucher referem-se a convênios celebrados em 2009, bem antes de ele assumir a pasta.

Novais admitiu, entretanto, que pode ter ocorrido "alguma coisa" no ministério. "Se houve deslizes, irregularidades, não sei. Mas admito que alguma coisa pode ter havido. Mas isso será corrigido e eliminado", afirmou.

Segundo o ministro, os funcionários apontados pela PF como envolvidos no suposto esquema de corrupção só voltarão a seus cargos ao fim das apurações. Novais prestava depoimento na tarde de hoje na Câmara numa sessão conjunta das comissões de Turismo e Desportos, de Defesa do Consumidor e de Comissão de Fiscalização e Controle.

Deputados do PMDB e do PT estavam na sessão para blindar o ministro. Ao lado de Novais, o líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), defendeu o ex-deputado Colbert Martins, um dos presos na ação da PF. Já os deputados de oposição insistem na necessidade de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar a corrupção no governo federal.

Crise

Deflagrada na semana passada pela PF, a Operação Voucher resultou na emissão de 38 mandados de prisão . Entre os presos na operação estava, além de Costa, o ex-secretário-executivo da pasta, Mário Moyses, que é ligado ao PT. De acordo com informações da PF, as investigações que resultaram na operação tiveram início em abril.

O ponto de partida foi um levantamento do Tribunal de Contas da União (TCU), que identificou irregularidades em um convênio de R$ 4,4 milhões entre o ministério e o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento de Infraestrutura Sustentável (Ibrasi), uma organização sem fins lucrativos. A finalidade do convênio era qualificar 1,9 mil profissionais de turismo no Amapá.

*Com informações da Agência Câmara e Agência Estado

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