Ministro de Dilma elogia prefeito Gilberto Kassab

Para Gilberto Carvalho, 'não é mal' que novo partido apoie governo e fortalecimento de Eduardo Campos para 2014 é 'bobagem'

Adriano Ceolin, iG Brasília |

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, elogiou o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, que vai deixar o oposicionista DEM e criar uma nova legenda que se aproxime do governo federal. Em entrevista ao iG , ele afirmou que não vê problema na fusão do partido com o PSB, do governador Eduardo Campos (Pernambuco).

“O prefeito sempre manteve um comportamento cuidadoso. Eu diria até um pouco distinto da tradição. Ele nunca fez uma inauguração sem convidar o presidente. Ao contrário de prefeitos e até aliados nossos que, às vezes, se apropriam de recursos e faturam só para si. Nesse sentido, Kassab foi diferente”, afirmou.

Leia os trechos:

iG: O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, anunciou nesta segunda-feira a criação do seu novo partido, o PSD, e sinalizou que pretende ter uma boa relação com o governo da presidenta Dilma Rousseff. Como o senhor vê isso?
Gilberto Carvalho:
A relação com os partidos é feita pelo ministro Luiz Sérgio ( Relações Institucionais ), mas eu vejo como positiva a aproximação do prefeito Kassab. Apoio você nunca recusa. Nós não pedimos para o Kassab fundar um partido. Havia já algum tempo uma convivência muito tranquila do prefeito com o governo federal. O que não vale a mesma coisa no plano estadual. São as contradições muitos naturais. Em São Paulo, a oposição do PT ao Kassab é forte. Mas, como governo federal do presidente Lula e agora com a presidenta Dilma, o prefeito sempre manteve um comportamento cuidadoso. Eu diria até um pouco distinto da tradição. Ele nunca fez uma inauguração sem convidar o presidente. Ao contrário de prefeitos e até aliados nossos que, às vezes, se apropriam de recursos e faturam só para si. Nesse sentido, Kassab foi diferente. Sempre foi cuidadoso e cordato com o governo federal. Isso facilitou a relação. Não vejo nenhum problema de ele nos apoiar. O que não significa compromisso do governo federal com o partido dele. Vamos ver qual vai ser o comportamento deste partido novo.

iG: Para a relação do governo com o Congresso Nacional, é bom ter um novo partido, já que muitos deputado estão insatisfeitos na oposição?
Carvalho:
Essa questão partidária nós teríamos de discutir no bojo da reforma política, que a gente espera que ocorra com a instituição da fidelidade partidária, do financiamento público de campanha, da lista partidária para o voto. Eu não posso dizer simplesmente se é bom ou ruim ter mais um partido ou menos um partido. Mas sim a qualidade dos partidos que nós temos no Congresso Nacional. É muito cedo para a gente se pronunciar sobre o PSD. Eu insisto não é mal que esse partido venha nos apoiar, mas ele está nascendo agora. Vamos ver como será sua prática.

iG: E a possibilidade de haver um crescimento do PSB é interessante, a partir da fusão com o PSD?
Carvalho:
Não vejo nenhum problema. É mais um aliado nosso que pode se fortalecer. O importante é que haja, de fato, partidos fortes. Isso é bom para democracia.

iG: Se houver um crescimento do PSB, o Planalto vê um problema no crescimento do capital político do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (atual presidente do PSB) e a possibilidade de ele vir a disputar Presidência da República em 2014?
Carvalho:
Isso é uma bobagem. Eduardo Campos é um aliado nosso desde a primeira hora. Desde 1989 estamos juntos com o PSB. Então, não vejo como ameaça. Ao contrário. Para nós é interessante que partidos da nossa base se fortaleçam. E o Eduardo tem uma relação com o presidente Lula e com a presidenta Dilma que é extraordinária. Então, não há o que temer.

    Leia tudo sobre: gilberto carvalhoentrevistakassabpsdeduardo campos

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG