Ministério Público antecipa audiência sobre venda de emendas

Deputado que denunciou supostas vendas de emendas na Assembleia de São Paulo será ouvido pela promotoria

AE |

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O Ministério Público Estadual decidiu antecipar o depoimento do deputado Roque Barbiere (PTB)no inquérito civil aberto para investigar denúncia sobre suposto mercado de emendas na Assembleia Legislativa de São Paulo, envolvendo parlamentares, empreiteiros e prefeitos.

30% dos deputados paulistas vendem emendas, acusa deputado

A decisão foi tomada ontem pelo promotor de Justiça Carlos Cardoso, da Promotoria do Patrimônio Público, braço do Ministério Público que investiga improbidade e corrupção.

Hoje, a assessoria de Cardoso vai fazer contato com o gabinete de Barbiere e agendar dia e hora para a audiência. "Se ele (deputado) colaborar, as coisas vão andar bem", avalia o promotor. "O depoimento no menor espaço de tempo é importante para que possamos delimitar as investigações, o alcance da apuração."

A partir do relato formal de Barbiere, observa o promotor, será possível "ir atrás das provas".

Cardoso planejara chamar o deputado, autor das denúncias que atingem o Legislativo, depois de algumas medidas de caráter burocrático, mas inevitáveis, entre as quais solicitação ao governo e à Assembleia de dados e documentos acerca da tramitação das emendas.

O que fez o promotor mudar sua pauta e eleger como prioridade a notificação de Barbiere é o fato de que o petebista tem dado sinais claros de que está disposto a apontar nomes de seus pares e contar como funcionava o "modus operandi" do grupo.

Estrategicamente, o Ministério Público pretende antecipar-se a um jogo de pressão nos bastidores do Palácio 9 de Julho, sede do Legislativo estadual, que possa levar ao eventual recuo do parlamentar - embora suas revelações a veículos de comunicação tenham sido gravadas em áudio e vídeo, espontaneamente.

Cardoso queria primeiro submeter as gravações à perícia da Polícia Científica para verificar a autenticidade do material. "Se ele confirmar o que está nos vídeos, não haverá necessidade da prova técnica", explicou. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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