Ministério de Dilma já é o maior em número de mulheres

Se as negociações dos últimos dias se confirmarem, petista já tem ao menos oito mulheres no primeiro escalão de seu governo

iG São Paulo |

Cumprindo a promessa repetida sucessivamente durante a campanha, a presidenta eleita Dilma Rousseff já indicou um número recorde de mulheres para compor o primeiro escalão de seu governo. Se as negociações comandadas nos bastidores nos últimos dias se confirmarem, Dilma já preencheu pelo menos oito vagas com mulheres.

O tamanho da equipe feminina de Dilma já supera a fatia de mulheres nomeadas no primeiro ministério do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2003. Na época, Lula indicou cinco ministras: Marina Silva (Meio Ambiente), Emília Fernandes (Secretaria Especial das Mulheres), Matilde Ribeiro (Secretaria da Igualdade Racial), Benedita da Silva (da extinta pasta da Ação Social) e a própria Dilma (Minas e Energia).

Embora a presidenta eleita tenha avançado significativamente na montagem de sua cota de mulheres, alguns nomes citados inicialmente como favoritos ficaram de fora. É o caso da diretora de Gás e Energia da Petrobrás, Maria das Graças Foster. Ou ainda da deputada do PC do B, Manuela D'Ávila. Saiba mais sobre as mulheres que devem integrar o ministério de Dilma:

Miriam Belchior

Agência Estado
A coordenadora do PAC foi a primeira confirmada no time feminino
Primeira mulher a ser confirmada no novo governo, Miriam Belchior será a nova ministra do Planejamento, em substituição ao atual titular da pasta, Paulo Bernardo. Coordenadora do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), ela destacou-se na condução do projeto que se transformou em uma das principais bandeiras da campanha presidencial petista. Além de preencher os quesitos técnicos desejados por Dilma para a função, Miriam também ajuda a atender às demandas do PT paulista, em especial da região do ABC, berço político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ela foi mulher do ex-prefeito de Santo André Celso Daniel, sequestrado e assassinado em 2002. Com bom trânsito dentro do partido, Miriam também já atuou no programa Bolsa Família, outra bandeira do governo Lula. Nesse caso, ela ajudou a comandar a integração dos projetos sociais que foram consolidados para dar forma ao programa.

Ideli Salvatti

Agência Brasil
Ideli já comandou a bancada petista no Senado e disputou o governo de Santa Catarina
Senadora e ex-líder da bancada petista, Ideli foi confirmada no início de dezembro como ministra da Pesca do governo Dilma. Com formação em Física pela Universidade Federal do Paraná, militou em movimentos  de professores e acabou ganhando projeção ao integrar em várias ocasiões a direção do PT de Santa Catarina.  O primeiro cargo eletivo que conquistou foi o de deputada estadual, em 1994. Em 2002, tornou-se a primeira mulher a se eleger senadora pelo Estado de Santa Catarina. Na Casa, acabou se firmando como líder da bancada petista a partir de 2006. Três anos depois, assumiu a liderança do governo no Congresso. Recentemente, diante das denúncias que tiraram o senador Gim Argello (PTB-DF) da relatoria do Orçamento de 2011, Ideli chegou a ser indicada para preencher a vaga. A indicação para o ministério, entretanto, levou a senadora a mudar os planos e repassar a relatoria à colega Serys Slhessarenko (PT-MT).

Helena Chagas

Agência Estado
Helena segue rumo semelhante ao do pai
Responsável por comandar a equipe de imprensa na campanha presidencial de Dilma e no governo de transição, a jornalista Helena Chagas ocupava até abril deste ano a diretoria de Jornalismo da Empresa Brasileira de Comunicação (EBC), criada durante o governo Lula. Confirmada no início do mês para substituir o ministro Franklin Martins na Secretaria de Comunicação Social (Secom), a nova titular da pasta trilhou boa parte de sua carreira na grande imprensa. Na televisão, Helena atuou no SBT e, antes disso, na Globo. Também comandou a sucursal do jornal O Glob o em Brasília. Ao lado do jornalista Tales Faria, assinou o Blog dos Blogs no iG . Ao assumir a função no novo governo, Helena, que se formou pela UnB,  seguirá uma trajetória semelhante à de seu pai, o jornalista Carlos Chagas. Ele exerceu o cargo de secretário de Comunicação da Presidência da República durante o governo de Costa e Silva (1967-1969).


Maria do Rosário

Agência Estado
Ministra é ligada ao PT gaúcho
Representante do PT gaúcho, a deputada Maria do Rosário iniciou sua militância no PC do B. Escolhida para comandar a Secretaria de Direitos Humanos, ela assumiu em 2003 seu primeiro mandato na Câmara, posto para o qual se reelegeu em 2006. Ocupou várias posições na direção nacional do PT, assim como nas instâncias estadual e municipal da legenda. Em 2005, em meio à crise do mensalão, colocou-se como uma das candidatas à presidência nacional do partido pela corrente Movimento PT, grupo que integra dentro da sigla. Perdeu o posto para o deputado Ricardo Berzoini (PT-SP). Maria do Rosário representou o PT também nas eleições municipais de 2008, quando disputou a Prefeitura de Porto Alegre. Embora tenha conseguido levar a eleição para o segundo turno, terminou o pleito  derrotada por José Fogaça (PMDB).

Iriny Lopes

Agência Câmara
Iriny Lopes foi membro de CPIs
Embora ainda não tenha sido anunciada oficialmente como uma das integrantes do primeiro escalão do novo governo, a deputada Iriny Lopes (PT-ES) já recebeu o convite da presidenta eleita Dilma Rousseff para comandar a Secretaria Especial de Políticas para Mulheres. Aos 54 anos, ela exerce atualmente seu terceiro mandato de deputada federal, cargo que conquistou pela primeira vez em 2002. Além de ter integrado o Conselho de Ética da Câmara, foi membro de CPIs como a do Banestado e das Escutas Telefônicas Clandestinas, da qual foi relatora. Indicada pelo PT para integrar a Comissão de Direitos Humanos da Câmara neste ano, a deputada também teve atuação nas negociações sobre o Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3). O projeto foi um dos focos de polêmica do governo Lula e deve voltar a ser discutido durante a gestão de Dilma.

Maria Lúcia Falcón

Divulgação/Governo de Sergipe
Maria Lúcia Falcón foi convidada para comandar a pasta do Desenvolvimento Agrário
Outra integrante da lista de nomes que ainda aguardam confirmação, Maria Lucia Falcón foi convidada pela presidenta eleita para comandar a pasta do Desenvolvimento Agrário. Professora do departamento de Economia da Universidade Federal de Sergipe, Lúcia foi secretária de Planejamento do Estado, sendo responsável pela elaboração e coordenação das propostas das leis orçamentárias e do planejamento estratégico estadual. Ao longo de sua formação acadêmica, acumulou os títulos de especialização em Qualidade e Produtividade com Missão no Japão, mestrado em Economia pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e doutorado em Sociologia pela Universidade de Brasília (UnB). Com endosso de governadores petistas como Marcelo Déda (Sergipe) e Jaques Wagner (Bahia), Lúcia era cotada para a pasta ao lado do senador eleito e ex-governador do Piauí, Wellington Dias.

Izabella Teixeira

AFP
Ministra tem forte apoio do setor

 De perfil técnico e com bom trânsito no setor, a atual ministra do Meio Ambiente é hoje a mais cotada para permanecer no cargo. Izabella Teixeira assumiu o comando da pasta em abril deste ano, em substituição ao então ministro Carlos Minc, que deixou o governo para disputar uma vaga de deputado no Rio de Janeiro. Nascida em Brasília, ela possui formação na área de Biologia. Ainda no que se refere a sua formação acadêmica, a ministra possui mestrado em Planejamento Energético e doutorado em Planejamento Ambiental pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).  Izabella preenche parte da cota de técnicos prometida por Dilma no ministério. Funcionária de carreira, ela acumula também passagens pelo Ibama. Ainda assim, ela é ligada politicamente a Minc, que acompanha desde os tempos em que ambos estavam na Secretaria do Meio Ambiente no governo do Rio de Janeiro.

Tereza Campelo

Reprodução
Tereza Campelo é economista e conheceu Dilma ao militar no PT gaúcho
Coordenadora de Projetos Estratégicos da Casa Civil, a Tereza Campelo tornou-se nos últimos dias a favorita para comandar o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. A pasta é considerada estratégica por abrigar o programa Bolsa Família, menina dos olhos do governo Lula na área social. Tereza é ligada ao PT gaúcho, assim como a própria presidenta eleita. Sua carreira foi construída em boa parte em administrações petistas no Rio Grande do Sul.  Economista formada pela Universidade Federal de Uberlândia, Tereza é casada com o também petista Paulo Ferreira, que comandou a Secretaria de Finanças do PT logo após a eclosão do escândalo do mensalão. Ao assumir, Tereza substituirá Márcia Lopes, irmã do futuro ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral) e interina do Desenvolvimento Social desde que Patrus Ananias deixou o cargo para disputar a eleição em Minas. 

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