Ministério cobrava propina de sindicatos, diz revista

Segundo a IstoÉ, pessoas ligadas ao ministro Carlos Lupi pediam dinheiro em troca da regularização dos sindicatos

AE |

selo

A edição deste fim de semana da revista IstoÉ traz denúncia de um sindicalista, segundo o qual o gabinete do ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, extorquia sindicatos para desviar recursos do imposto sindical para a central ligada ao PDT (a Força Sindical) e a assessores do ministro.

iG revela: PDT usa denúncia do iG em pedido de investigação contra ministro

As consequências: Se demitir Lupi, Dilma pode perder 26 votos na Câmara

O problema continua: Projetos sobre regulamentação de ONG estão engavetados

A pressão: Oposição promete "plantão" para pedir saída de Lupi

O autor da denúncia é o presidente do Sindicato de Trabalhadores em Bares e Restaurantes da Baixada Santista, Litoral Sul e Vale do Ribeira (Sindrest), João Carlos Cortez, que afirma existir um esquema de venda de cartas sindicais dentro do Ministério do Trabalho, operado por pessoas ligadas diretamente ao ministro Lupi.

AE
Lupi durante entrevista coletiva após reunião da executiva do PDT, na terça-feira
Segundo Cortez, assessores do ministro prometeram, no fim de julho de 2007, regularizar o registro de sua entidade, desde que ele repassasse um porcentual da arrecadação do sindicato. Isso teria acontecido numa reunião realizada no quarto andar do ministério, marcada pelo deputado federal Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força (PDT-SP), na sala do então secretário de Relações do Trabalho, Luiz Antônio de Medeiros, homem da confiança de Lupi.

"Me fizeram uma proposta indecente, um pedido de propina ali dentro do ministério", contou Cortez à revista. O esquema consistia em repassar à conta bancária da Força Sindical 60% de toda a arrecadação sindical que seria obtida pelo Sindrest nos três anos seguintes, valor parcelado em três vezes - 30% no primeiro ano, 20% no segundo e 10% no terceiro. O montante era superior a R$ 12 milhões, segundo cálculos do sindicalista. Alegando à revista ter sido coagido, Cortez afirmou que aceitou a proposta. Duas semanas depois, teria sido apresentado a ele um "Termo de Compromisso de Doação" que, na verdade, encobriria o pagamento da propina.

Ainda assim, Cortez não conseguiu o que queria. Ele disse à IstoÉ suspeitar de que a regularização tenha sido travada por uma associação de sindicatos da Baixada Santista que disputava com o Sindrest a organização da categoria na região. "Ouvi que eles pagaram mais para arquivar nosso pedido. Tudo no Ministério do Trabalho é movido a dinheiro", afirmou Cortez à revista.

Depois disso, o sindicalista disse ter entregue nas mãos de Lupi, durante as comemorações do Dia do Trabalho, em maio de 2010, um dossiê contando toda a história, acreditando que talvez o ministro não soubesse da operação de seus assessores. "Foi a mesma coisa que nada. Ele nunca deu retorno da denúncia. Logicamente o ministro também está no esquema", disse Cortez à IstoÉ .

Força Sindical

Em nota, o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, afirmou que a matéria da IstoÉ é "fantasiosa" e "revela uma tentativa de criminalizar o movimento sindical". O Estado de S. Paulo não conseguiu contato com o Ministério do Trabalho e com os outros citados.

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG